DADOS BIOGRÁFICOS DE PERSONALIDADES, ARTISTAS LIGADOS AO TRADICIONALISMO.
COLOCADOS POR ORDEM ALFABÉTICA - PEDIMOS A COLABORAÇÃO DE TODOS PARA COMPLETAR OS DADOS QUE FORAM RECOLHIDOS EM PESQUISAS NA INTERNET , JORNAIS, ETC.
-ÂNGELO FRANCO - São Luiz Gonzaga
Intérprete e compositor profissional desde 1984 têm como traço principal da sua composição a busca constante do encontro entre a tradição e a atualidade, sem a perda da identidade e sem culto ao preconceito. Tem dois discos gravados: Eu sou gaúcho e Coplas de um gaúcho brasileiro.
A sua composição a busca constante do encontro entre a tradição e a atualidade, sem a perda da identidade e sem culto ao preconceito. Tem dois discos gravados: Eu sou gaúcho e Coplas de um gaúcho brasileiro.
-APPARÍCIO SILVA RILLO
E em São Borja temos a felicidade de ter o saudoso Apparício Silva Rillo, que mesmo não sendo são-borjense de nascimento amou nossa cidade como poucos.
Os versos de Apparício Silva Rillo passeiam pelos quatro cantos do Rio Grande - "O maior poeta que São Borja conheceu".
Rillo nasceu em Porto Alegre no dia 08 de agosto de 1931, foi registrado em Guaíba, cidade onde seus pais moravam e onde passou parte de sua infância.
Estudou em Novo Hamburgo , Ijuí e Porto Alegre, onde se formou Técnico em Contabilidade. Mais tarde cursou Ciências Contábeis e Economia na PUC.
Em 10 de outubro de 1953 (dia do Padroeiro de São Borja - São Francisco de Borja), aos 22 anos, foi morar em Nhu-porã - distrito de São Borja, para trabalhar como contador na Propriedade dos Irmãos Pozzueco.
A partir de 1957 adotou São Borja como sua terra, da qual sempre teve orgulho de falar em seus poemas e músicas.
Dois anos mais tarde, em 1959, escreveu seu primeiro livro de poesias: "Cantigas do Tempo Velho" - versos crioulos.
A partir desse, vieram mais de 40 obras, entre elas poesias, prosa, peças de teatro, novelas, teses, monografias, antologias, além de folclore e história.
Considerado um dos nomes mais importantes na cultura gaúcha, Rillo registrou grande parte da história de São Borja; criou festivais e CTGs, deixando sua marca no contexto cultural, artístico e histórico de nossa cidade, da 3ª RT e de todo o Rio Grande do Sul.
Foi membro da Academia Rio-grandense de Letras e da Academia da Estância da Poesia Crioula.
Foi premiado em concursos de nível regional, nacional e até internacional (na Alemanha com o conto "Bicho Tutu").
Em 1962, fundou o Grupo Amador de Arte "Os Angüeras", o mais antigo em atividade no Rio Grande do Sul. Em 1979 junto à sede do Grupo organizou o Museu Ergológico da Estância, que na linha folclórica um dos únicos do Brasil.
Foi um dos maiores letristas da história da música do Rio Grande do Sul, por esse motivo, falar de Apparício Silva Rillo sem fazer referência aos Festivais Nativistas é impossível.
Em 1971, escreveu "Andarengo", com música de José Bicca (considerado seu irmão de arte); esta foi a primeira música a subir ao palco da 1ª Califórnia da Canção Nativa de Uruguaiana, sabidamente o mais antigo Festival Nativista do Estado. Daí o seu pioneirismo.
Meses mais tarde, idealizou o Festival da Barranca. Criou também o Clarim, extinto festival de músicas regionalistas.
Rillo é o autor dos Hinos de São Borja, Cerro Largo e Santa Rosa.
Apparício foi um homem a frente do seu tempo, soube colocar nas suas narrativas, usando o ficcional como cortina, fatores de ordem histórico-sociais e econômicos, seus temas também eram alicerçados nesses fatores.
Era dono de uma inteligência e sensibilidade privilegiadas.
Homem de bom coração, Rillo era amigo dos amigos. Tinha a "mania" salutar de dar forças a todos os que o cercavam, incentivou o aparecimento de vários poetas e compositores, como: José Hilário Retamozo, José e Miguel Bicca, Mano Lima e um de seus mais fiéis discípulos Rodrigo Bauer.
Em maio de 1991, escreveu "Poço de Balde", o seu último livro de poemas. Obra estranhamente premonitória, de remate, que exigiu do artista maduro um de seus maiores esforços. Afinal, no limiar dos sessenta anos, detentor de um lugar definido e um nome consagrado, multiplicou-se a responsabilidade em razão da expectativa em torno dessa nova obra - um momento de perplexidade em que o autor sentiu, e anunciou, empreender o seu "rito de passagem".
E na manhã do dia 23 de junho de 1995 (na véspera de São João) Apparício Silva Rillo aos 63 anos deixou um pouco mais órfãos a cidade e o Rio Grande do Sul.
"Seu Rillo", como era carinhosamente chamado foi e continua sendo reconhecido e aplaudido por todos, deixou-nos um imensurável trabalho que ficará gravado nas páginas da história rio-grandense.
Fonte: www.coxixogaucho.com.br
-AURELIANO DE FIGUEIREDO PINTO

AURELIANO DE FIGUEIREDO PINTO
Aureliano de Figueiredo Pinto é, indiscutivelmente, um dos maiores poetas nativista de nossa terra, de todos os tempos.
Com seu vigoroso regionalismo, o nosso idioma, longe de empobrecer-se, adquiriu novas e cintilantes riquezas.
Seus poemas, nascidos das vivências campeiras, com invernos, tropeadas, rondas, noites longas, chimarrão, e outros temas rudes e belos. São sempre, impregnados de comovente humanismo e iluminados pelo sol de sua fulgurante cultura.
A divulgação de seus versos magistrais é, pois, exigência imperiosa de todos os que cultuam as letras pampeanas e que amam nossa Querência.
Nada, nos seus versos, do apenas fácil e pitoresco que caracteriza uma boa parte de poesia gauchesca. A poesia de Aureliano Figueiredo Pinto, profundamente ligada a terra, tem uma extraordinária densidade humana, assumindo sua temática, em muitos passos, o sentido de um canto geral que transcende o mero regionalismo.
Poucos livros refletem com mais autenticidade o homem e a paisagem do Rio Grande do que estes "Romances de Estância e Querência".
Aureliano de Figueiredo Pinto nasceu em 1º de agosto de 1898, na fazenda São Domingos, município de Tupanciretã, filho de Domingos José Pinto e de Marfisa Figueiredo Pinto. Exerceu o ofício de médico, mas por essência foi poeta e escritor.
O processo de alfabetização inicia-se em 1904 quando recebeu aulas de sua mãe. Quatro anos depois no colégio Santa Maria em Santa Maria , seguiu seus estudos, de onde enviou a sua mãe seus primeiros poemas.
Aureliano inicia ali seu martírio, sua ressurreição e sua glória: escrever.
Aos 17 anos, nasceu uma grande amizade com Antero Marques. Antero seria, pela vida afora companheiro, crítico e confidente a dividir aulas, pensões, ruas, e uma infinidade de cartas. Iniciam as discussões políticas, literárias e filosóficas, que os levariam a participar da Revolução de 30. Passou a residir em Porto Alegre 3 anos mais tarde, onde prepara o vestibular para Direito, que trocaria mais tarde pela Medicina. Os poemas escritos em meio às anotações escolares antecediam sua estréia com poemas publicados no jornal Correio do Povo, com pseudônimo e nome próprio e nas revistas Kodak e A Máscara, um ano mais tarde.
Amigos passam a classificar seus poemas entre as correntes simbolista e parnasiana. Entre as anotações de aula, Aureliano escreve o poema Gaudério, que marcaria sua vinculação com o nativismo. Anos depois, Gaudério e Toada de Ronda seriam musicados por João Fischer. Segundo testemunhas de Antero Marques, Raul Bopp, entusiasmado com a produção do poeta diria que "Bilac assinaria estes versos" O poema Toada de Ronda é considerado o marco inicial da poesia nativista no Rio Grande do Sul.
Em 1924, parte para o Rio de Janeiro estudar Medicina. Lá, cursa o primeiro e o segundo ano e retorna a Porto Alegre. Lê Paja Brava , do Viejo Pancho, que marcará sua produção artística, e também livros de poetas regionalistas uruguaios e argentinos, que o influencia a escrever poemas em espanhol. Em 1926, volta aos estudos de Medicina no Rio de Janeiro, mas no mesmo ano retorna a Porto Alegre. Somente em 1931, conclui o curso de Medicina, e logo abre seu consultório em Santiago. Abre o coração aos campos e aos tipos humanos que o povoam.
A partir dali o trabalho de médico rouba-lhe o tempo de leitura e criação. Passa a fazer viagens ao interior do município, atendendo a chamados médicos e fica com os peões tomando mate e ouvindo causos.
Três anos mais tarde por falta de dinheiro dos clientes para compra de remédio, suas práticas médicas são interrompidas. Aureliano cria um código que é colocado nas receitas, para que fossem debitadas para alguns de seus amigos. Nessa época, seus poemas são datilografados por Túlio Piva, para quem produz textos para serem lidos na rádio local.
Em 1937, já com quase 40 anos, passa a dirigir o Posto de Higiene de Santiago. Anos mais tarde, seria o fundador do Hospital de Caridade.
Casa com Zilah Lopes, em 29 de dezembro de 1938 com que tem 3 filhos.
Em 1941, troca Santiago por Porto Alegre, assume a subchefia da Casa Civil do interventor Cordeiro de Farias. Fica poucos meses no cargo e retorna a Santiago.
Em 1956 inicia a reunir e selecionar seus poemas, espalhados entre amigos, para publicá-los em livros. Seu filho José Antônio vai à Editora Globo e ali espera até ter em mãos dez volumes de Romances de Estância e Querência – Marcas do Tempo o primeiro livro publicado de Aureliano de Figueiredo Pinto.
Aureliano vem a falecer em 22 de fevereiro de 1959 com câncer.
Em 1963, é publicado "Ad Sodalibus" pela Livraria Sulina, seu segundo livro de poesias Romances de Estância e Querência – Armorial de Estância e Outros Poemas. Em 1974, é publicada pela Editora Movimento, a novela Memórias do Coronel Falcão. Em 1975, Noel Guarany recebe autorização dos familiares do poeta para musicar Bisneto de Farroupilha e Canto do Guri Campeiro.
Pesquisa realizada por Hilton Luiz Araldi
Fonte: Hilton Luiz Araldi
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- BAGRE FAGUNDES - EUCLIDES FAGUNDES FILHO -
De vez em quando escrevo aqui sobre algum artista do gauchismo, e a repercussão é imediata e imensa. Parece incrível como sabemos pouco sobre os artistas que aplaudimos e cuja carreira acompanhamos. Hoje é a vez de alguém muito especial, a quem me ligam traços de parentesco e admiração - meu irmão Euclides Fagundes Filho.
Ele nasceu em Uruguaiana em 3 de outubro de 1939, numa manhã de primavera. Nossa família morava num chalé de madeira em uma das esquinas do bairro do Riacho e, quando a dona Mocita Fagundes começou a "sentir as dores", tiraram a mim e a meu irmão João Batista de casa e nos levaram à tia Chininha Delgado, onde a prima Luci nos deu pão com mel - a primeira vez que comi mel na vida foi no dia em que o Bagre nasceu.
O menino que tomou o nome do pai e era meio atempado, de vez em quando tinha uns ataques e parecia morrer, para grande aflição dos parentes. A família campeira, quase sempre numerosa, tem os seus "mimosos": o mimoso do pai, o mimoso da mãe. O Bagre foi sempre o mimoso do pai. Muito cedo revelou vocação para o canto, e o velho Euclides adorava fazer as crias se apresentarem cada vez que havia visita em casa. Foi assim que o Bagre começou como cantor. Esse apelido ele ganhou do irmão João Batista porque era muito chorão, abrindo uma baita boca. João ridicularizava: "Olha aí, parece um bagre...". Como a "vítima" não se importava, o apelido pegou.
A primeira e grande vocação do Bagre foi a atlética, não a artística. Era excelente jogador de futebol. Gostava da ponta direita, foi campeão alegretense pelo Flamengo várias vezes e quase terminou profissional em Livramento, mas foi impedido pelo pai. Foi também juiz de futebol e hoje é conselheiro do Sport Club Internacional.
Na arte começou com a gaitinha de quatro baixos tocando rancheiras mexicanas e, quando pegou o violão, cantava de tudo, de Bob Nelson aos boleros e tangos, sambas e valsas tão do agrado da família. Como compositor, musicou com grande sucesso algumas letras minhas, como o Canto Alegretense e Origens. Como cantor, foi premiado em festivais e gravou o aplaudido disco De Bota e Bombacha e teve participação importante no disco Fagundaço. Escreveu um livro sobre truco, é apresentador de rádio e de televisão, colunista do jornal Diário Gaúcho, filiado fervoroso do PDT e seguidor de Leonel Brizola. O dr. Euclides Fagundes Filho é formado em Direito e advogado registrado na OAB sob o nº. 8501. Enquanto advogou foi um brilhante advogado de júri, eloqüente e brilhante.
Hoje, quem encontrar o Bagre pelas ruas de Porto Alegre, há de vê-lo de umas dessas três formas: com o abrigo do Internacional (mais colorado que o anhangá pitã) ou de terno e gravata, impecável como se fosse para uma recepção, ou de bota e bombacha, com a gaitinha embaixo do braço...
Fonte coluna do Nico Fagundes em ZH do dia 26/03/2007 - nico.fagundes@zerohora.com.br
- BARBOSA LESSA.
Advogado, Jornalista, Historiador, Compositor, Pesquisador, Contista e Romancista. Nasceu em Piratini - RS, no dia 13 de dezembro de 1929. Jovem estudante liderou o movimento que fundou o primeiro Centro de Tradições Gaúchas - o 35 CTG - juntamente com Paixão Cortes, Glaucus Saraiva e Hélio José Moro. Dedicou sua vida ao Tradicionalismo Gaúcho. Possui uma obra literária invejável. Iniciou antes do que o Movimento e caminha com ele até nossos dias. Autor de valiosos trabalhos literários, que destacamos: A Retirada de São José do Norte, de 1946; Chimarrão, história da Erva-Mate, de 1953; O Sentido e o Valor do Tradicionalismo, de 1954; Manual de Danças Gaúchas, em parceria com Paixão Cortes, em 1956; Boi das Aspas de Ouro, de 1958; Não te Assusta, Zacarias, de 1956; Os Guaxos, de 1959; Estórias e Lendas do Rio Grande do Sul, de 1960; A Rainha de Moçambique, de 1958; Nova História do Brasil, de 1 967; Danças e Andanças da Tradição Gaúcha, parceria com Paixão Cortes, de 1975; Rodeio dos Ventos, de 1978.
De suas obras mais recentes, destacamos: São Miguel da Humanidade, Mão Gaúcha, Rio Grande do Sul, prazer em conhecê-lo, Borges de Medeiros e Nativismo, um fenômeno social Gaúcho. Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul e da Academia Sul-rio-grandense de Letras. Compositor das famosas músicas Negrinho do Pastoreio, Quero-Quero, Balseiros do Rio Uruguai, Levanta Gaúcho e No Bom do Baile.
Barbosa Lessa foi Secretário da Cultura, Desporto e Turismo do Rio Grande do Sul, no governo José Augusto Amaral de Souza, desenvolvendo um trabalho de divulgação e valorização da cultura gaúcha.
Possui uma reserva ecológica em Água Grande, município de Camaquã, onde mateia com erva-mate nativa, preparada em sua propriedade, sob o pilão de um monjolo, movido pelas águas de suas belas cachoeiras. A fauna e a flora de sua propriedade, ainda virgens, conservam espécies raras, vivendo em seu meio, entre as quais, muitos bugios que vivem longe do contato do homem.
Suas cachoeiras, seguramente, são as mais belas de nosso Estado.
A beleza do recanto natural da Água Grande não poderia ser mais adequada para abrigar um grande homem e uma imensurável personalidade cultural gaúcha, com seu acervo cultural. Barbosa Lessa, historiador Latino-Americano é, com certeza, a maior autoridade do Movimento Tradicionalista Gaúcho. Em novembro de 1988 teve aprovada, no IV Congresso Internacional da Tradição Gaúcha, realizado em La Plata , Argentina, a definição geográfica da área abarcada pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho, no Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
O Círculo da Tradição preza pelo ritual do Chimarrão e a fraternidade universal.
E recentemente, em 1999, foi considerado um dos 20 Gaúchos que marcaram o séc. XX.
No ano seguinte foi Patrono da Feira do Livro de Porto Alegre (2000).
Extraído do livro : ABC do Tradicionalismo Gaúcho - Salvador Lamberty - 6ª ed.
- BETO CAETANO - ALBERTO COSTA CAETANO
Este Cd " Rodeado de Amigos, marca os 35 anos de estrada de Beto Caetano, grande Gaiteiro, Cria de Unistalda-RS.
Na sua bagagem o artista inclui sua participação nos grupos: Os Guapos, Os Mirins e Som Campeiro, onde abrilhantou com seu talento ao longo dos anos, inúmeros eventos.
É difícil, na discografia gaúcha, em especial no acervo dos adeptos do regionalismo que não se identifique ao estilo do toque da gaita do artista que ao longo de sua carreira participa de quase 100% da produção musical de nosso Estado. Em conseqüência, Beto Caetano tem seu dia a dia inteiramente dedicado a gravações.
O cd "Rodeado de Amigos" Lançamento Sinuelo Produções, conta com Sucessos do Artista e Brilhantes Participações, Confira:
1 - Lidas Perdidas de Beto Caetano e Vaine Darde e participação de José Cláudio Machado
2 - Sonhos na Calçada de Beto, Vaine e part: Os Monarcas
3 - Trem da Saudade de Beto e Carlos Moacir Rodrigues e part: Tchê Guri e Trio de Ouro
4 - Ninho de Amor de Beto Caetano e Valdir Amaral
5 - Sinto Muito de Beto e Ivo Bairros de Brum e part: João de Almeida Neto
6 - Vinho das Paixões de Beto Caetano e Vaine Darde
7 - Chora Coração de Beto Caetano e part: Wilson Paim
8 - Candeeiros da Alma de Beto Caetano e Nenito Sarturi part: Kelly e Saimon (Cia Show 4 e Trio de Ouro
9 - Vivendo a Vida de Beto Caetano e Nenito Sarturi
10 - Volte pra casa de Beto Caetano e Vaine Darde e part: Juliano Floriani
11 - Gotinha de Orvalho de Beto Caetano e Odilon Ramos e Part: Cristiano Teixeira
12 - Último beijo de Beto Caetano e Dante Ramon Ledesma
FICHA TÉCNICA:
Gravado no DRBC Studios - Gravataí-RS
Técnico de Gravação: Beto Caetano Filho
Mixagem: Beto Caetano Filho e Juliani Floriani
Masterização: Aguinaldo Paz
Produção e Arranjos: Beto Caetano e Juliano Floriani
Direção Geral: Nenito Sarturi e Leonardo Sarturi
MÚSICOS :
Beto Caetano: Acordeom
Juliano Floriani: Violões, Guitarras e Baixo.
Jóia: Violões em Candeeiros da alma e volte pra casa
Cristiano Teixeira: Bateria
Odilon Dalla Porta: Percussão
Marco Carvalho: Teclados em ultimo beijo e candeeiros da alma
Saimon Baumhardt: Teclado em candeeiros da alma
Vocais: Beto, Juliano, Cristiano e Analise Severo.
Saiba um pouquito mais de Alberto Costa Caetano, mais conhecido como Beto Caetano, Cantor, Compositor, Instrumentista (Acordeonista) - Rio Grande do Sul.
Reconhecido como compositor e gaiteiro, como são conhecidos os tocadores de acordeom no sul do país, gravou músicas de sua autoria e teve composições gravadas por nomes como Os Serranos e Gaúcho da Fronteira.
Em 1990, no LP "Gaitaço" gravado por Gaúcho da Fronteira na Chantecler, teve incluída a composição "Éramos felizes e não sabíamos", parceria com Gaúcho da Fronteira.
Em 1991, teve as músicas "Chonorão Brasil" e "Peleia de mango", com Airton Cabral e Vainê Darde e "Paixão de cabo a rabo", com Airton Cabral e Gaúcho da Fronteira, gravadas no LP "Acordes Orientais", lançado por Gaúcho da Fronteira, pela gravadora Chantecler.Três anos depois, no LP "Tão pedindo um vanerão", gravado por Gaúcho da Fronteira na Chantecler/Warner Music, foi incluída a música "Cinco pila", parceria com Gaúcho da Fronteira. Teve músicas gravadas por outros expoentes da música gaúcha, dentre eles, o grupo Os Serranos, que gravou "Rancho à beira-mato", e o grupo Som Campeiro que gravou "Trem da saudade", parcerias com Carlos Moacir Pinto Rodrigues.
Em 2004, lançou, pela USA Discos, o CD "Vida cordeona e canções", com produção e arranjos seus: Músicas instrumentais "Capão do capim" e "Bugio safado", dois bugios de sua autoria.
O vanerão "Sobrancelha de jacaré", a "Chamarrita apaixonada", e o xote "Contratempo", todas de sua autoria.
Também estão no disco, de sua autoria, o xote "Vem cá, guria", com Jorge Alberto Mota, a vaneira "Estrela cadente", parceria com Nenito Sarturi, o bugio "Desabafo", com Vaine Darde, o chamamé "Sonhos na calçada", com Vaine Darde, a vanera "Vanera missioneira", de Leandro Rodrigues, o vanerão "Fandango em unistalda", com Nenito Sarturi, e o chamamé "Último beijo", com Dante Ramon Ledesma.
O disco contou com a participação especial do cantor João de Almeida Neto, nas faixas "Pra viver uma milonga", com Vaine Darde, "Chamarrita apaixonada", de sua autoria, e "Na mesa de um bar", com Nenito Sarturi.
Participou de diversos festivais de música no Rio Grande do Sul, entre os quais, 4ª edição do Ronco do Bugio, na cidade de São Francisco de Paula, com a música "Seu Bugio", para a qual fez a melodia com Jorge Fagundes e Paulo de Freitas Mendonça.
No mesmo ano, cantou e tocou gaita, como no sul se chama o acordeom, participando da gravação do CD "José Claudio Machado - Acústico Ao Vivo", gravado ao vivo em Guaíba, no Sitio de José Claudio Machado.
Você pode adquirir este cd de Beto Caetano "Rodeado de Amigos" por telefone ou e-mail:
CONTATO: Fone: (51) 3423.3148 e Fax: (51)3497.2868 ou
E-Mail: betocaetano@terra.com.br
Fonte :www.portaldogaucho e Beto Caetano Filho
- CARLINHOS CASTILLO , o Gauchão por Nico Fagundes
Carlinhos Castillo nasceu no interior de Santana do Livramento e foi criado pela avó, ao ficar, ainda criança, órfão de mãe. Pelo lado materno, ele se orgulha de ser descendente direto do Barão do Ibirapuitã, cuja comenda e distinções imperiais conserva até hoje. Se ainda existisse a nobreza brasileira, ele poderia ostentar o título de 4º Barão do Ibirapuitã porque é tetraneto do General Antonio Caetano Pereira.
Carlinhos surge em Porto Alegre com idade de sentar praça, alto, forte e sério. É um notável goleiro. Volta a Santana do Livramento para prestar serviço militar e depois vem a Porto Alegre definitivamente. Mas quando poderia fazer carreira profissional no futebol, conheceu o tradicionalismo pela mão de Eri Assenato e se tornou um grande sapateador de chula e malambo. Sapateou pelo Rio Grande, pelo Brasil e pelo Exterior, ganhando troféus e mais troféus. Aparece no cinema, no teatro e na televisão, tendo apresentado por muito tempo o programa Fogo de Chão. Aproveitando a sua invejável compleição física, torna-se ginete em rodeios e nas festas campeiras nas fazendas de amigos. Entra para o Conjunto de Folclore Internacional Os Gaúchos como sapateador e viaja pelo mundo. Aí se descobre cantor de voz potente, acompanhado do violão, muitas vezes, em composições de sua própria autoria. Integra o conjunto da Varig e viaja pela Europa Central. Casa e recasa algumas vezes. Trabalha muitos anos na Assembléia Legislativa do Estado, onde faz notável aproveitamento em Ciências Políticas , em contato com grande líderes do seu tempo. Antes de se aposentar, foi assessor especial do governador Amaral de Souza, do governador Jair Soares, do deputado Jarbas Lima e muitos outros cargos em outros órgãos sempre como autoridade em gauchismo.
Trabalhou no Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore, onde se descobriu pesquisador. Apreciador da boa culinária gauchesca, quis conhecer mais e melhor os nossos pratos, e hoje é nossa maior autoridade do assunto, com três livros publicados e um quarto em preparo apenas sobre a cozinha gaúcha. Fora outros livros que escreveu.
Dizer todas as funções que Carlinhos Castillo desempenhou seria tão cansativo como enumerar todos os títulos e troféus que recebeu. Eu gosto de destacar seu pioneirismo nas cavalgadas, pois ele organizou e comandou marchas notáveis a Vacaria, Bagé e Piratini, muito prestigiado pelo deputado Jarbas Lima, seu grande amigo e este também um exímio cavaleiro. Aliás, a primeira cavalgada que eu fiz - aliás, como simples cavaleiro - foi aquela de Piratini que Carlinhos organizou e comandou. Não sem razão, ele recebeu o troféu Pioneiro nas Cavalgadas. Também recebeu o troféu Laçador e muitos outros.
Carlinhos Castillo integrou o Conjunto Os Teatinos e Conjunto Sete Povos. Ganhou o prêmio de melhor cantor na 1º Califórnia da Canção Nativa, da 1º Ciranda da Canção, da 2º Vindima da Canção, do 7º e do 9º Rodeio Internacional de Vacaria, do 5º Festival da Barranca e de muitos outros certames no Brasil e na Argentina. É autor do hino da cidade de Triunfo.
No cinema trabalhou como ator e produtor nos filmes Um Certo Capitão Rodrigo, Ana Terra, A Morte Não Marca Tempo, Grande Rodeio, Negrinho do Pastoreio, Ela Tornou-se Freira e Pobre João. Meio solitário, homem de poucas palavras e de poucos amigos, Carlinhos Castillo é meu amigo de mais de 40 anos. Já fizemos poucas e boas por esse mundo afora em causos de peleias e de amores. Nós dois sabemos que num aperto um pode contar com o outro, sempre
- CENAIR MAICÁ

Nasceu em 03 de maio de 1947, em Água Fria, no município de Tucunduva (RS), passou a maior parte de sua vida em Santo Ângelo , onde começou sua carreira musical com o irmão Adelque. Trabalhou com José Mendes e depois com Noel Guarany. Cenair gravou um compacto duplo e quatro LP, dois deles reeditados em CD.
Aos 17 anos de idade, num acidente, perdeu um rim, o que veio, mais tarde a comprometer sua saúde e influenciar na seu prematuro falecimento, que ocorreu em 02/01/1989, após sofrer transplante.
CYRO DUTRA FERREIRA: UM EXEMPLO DE GAÚCHO!
Cyro Dutra Ferreira: um Tradicionalista Gaúcho Histórico e Heróico do Rio Grande do Sul!
O tradicionalista CYRO DUTRA FERREIRA nasceu em Porto Alegre, aos 10 de janeiro de 1927. Foi Patrão do 35 CTG, nos períodos compreendidos de 1955-1956 e de 1963-1964. Participou de quase todos os cargos de Diretoria e do Conselho de Vaqueanos, em mais de 20 gestões. Foi Conselheiro do MTG.
Escreveu o livro "O 35: o Pioneiro do MTG" e outras obras, além de inúmeras crônicas sobre Tradicionalismo, em vários jornais. Foi Capataz de Estância. Trabalhou como Escriturário na FARSUL. Exerceu o cargo de Chefe de Escritório e Gerente da Comercial de Explosivos Ltda (Comercial Luce S.A.). Antes de partir, aos 9 de agosto de 2005, para a Estância Divina, Tio Cyro viveu entre a sua fazenda, em General Câmara-RS, e as atividades tradicionalistas. Foi integrante do chamado Grupo dos Oito - a turma do "Julinho" -, do Grêmio Estudantil do Colégio Estadual Júlio de Castilhos, em 1947, participando, com outros sete tradicionalistas, da abertura da Ronda Gaúcha, dentro das festividades programadas pelo Departamento de Tradições Gaúchas, cujos fins objetivavam o culto, a defesa e a preservação dos usos e costumes gaúchos.
Participou do primeiro Desfile Farroupilha, no Piquete da Tradição do referido DTG do Colégio Estadual Júlio de Castilhos, pelas ruas da capital gaúcha, em 5 de setembro de 1947. E, novamente com aquele Piquete, prestou guarda campeira aos despojos do General Farrapo David Canabarro, transportado de Santana do Livramento para o Panteon Rio-Grandense, em 5 de setembro de 1949, junto com os outros sete tradicionalistas e precursores do Movimento Tradicionalista Gaúcho organizado. Participou da fundação do 35 CTG, primeiro Centro de Tradições Gaúchas, uma decorrência do movimento formado por aqueles jovens, com raízes no interior do Rio Grande do Sul, frente à imposição cultural norte-estadodunense, cujos efeitos criaram a "geração coca-cola", bombardeada no pós-guerra por aquela cultura, bem como ocorre nos dias hodiernos. Participou da Ronda Crioula, criada por Paixão Côrtes, a qual originou as comemorações da Semana Farroupilha. Esta Ronda Gaúcha, prevista pelo Departamento de Tradições Gaúchas do "Julinho", ficou popularizada pela gauchada como Ronda Crioula e desenvolveu-se de 7 a 20 de setembro de 1947. E foi no quintal da casa onde Cyro Dutra Ferreira morava com Paixão Côrtes que foi fabricada, de forma rústica, a "Tocha Farrapa" para conduzir a Chama Crioula, na noite de 7 de setembro de 1947, diante da impossibilidade de mandar fabricar uma, em função dos escassos recursos dos então estudantes-operários.
Em seguida, dirigiu-se a cavalo, tipicamente pilchado, na cavalgada histórica junto com Paixão Côrtes e Fernando Vieira, para a Av. João Pessoa, onde uma multidão aguardava os atos de encerramento de mais uma Semana da Pátria. Com Fernando Vieira levava as bandeiras do "Julinho" e do Rio Grande do Sul. Após a descida de Paixão do topo da Pira do Fogo Simbólico da Pátria, de onde tirou uma centelha para formar a Chama Crioula, montado em seu flete, ao lado dos companheiros Paixão e Fernando, "cerrou pernas" e esbarrou frente às autoridades, no palanque oficial, gritando junto com os outros dois tradicionalistas, em uníssono: "VIVA A TRADIÇÃO GAÚCHA!"; "VIVA A REVOLUÇÃO FARROUPILHA!"; "VIVA O BRASIL!". Como registra Paixão, brilhava ali a centelha que iria irradiar luz aos caminhos do Movimento Tradicionalista que nascia.
Após mais de meio século, já se faz necessário um outro Grupo dos Oito para moralizar as ações criminosas dos falsos tradicionalistas contra os usos e costumes tradicionais do Povo Gaúcho Sul-brasileiro. Mas, certamente que muitos outros estarão dispostos a lutar pela recuperação daquele Movimento Tradicionalista Gaúcho de 1947, iniciado com o intuito de combater as imposições mercadistas da época e que ainda hoje seguem descaracterizando a cultura regional gaúcha brasileira. Já é hora de alçar a perna no "pingo da reação" e cerrar fileiras em direção do verdadeiro Tradicionalismo, isento dos insaciáveis interesses comerciais e político-partidários e mais próximo dos autênticos usos e costumes do Rio Grande do Sul; das verdadeiras tradições e da raiz interiorana-pastoril sul-rio-grandense, base da Identidade Cultural do Povo Gaúcho Sul-brasileiro!
(Fonte dos dados informativos: PAIXÃO CÔRTES, João Carlos. Tradicionalismo Gauchesco: nascer, causas e momentos. Caxias do Sul: Lorigraf, 2001)
Fonte: Bombacha Larga
- CRISTIANO QUEVEDO - Piratini
Começou sua carreira nos festivais de música nativista, tem 4 Cds gravados, sendo o mais recente "Pra um fim de lida" e pode ser identificado com seu estilo alegre e contagiante de interpretar suas canções. Uma das canções mais conhecidas de sua trajetória afirma justamente a idéia do grupo: "Essa audácia de buscar o novo, sem pisar o rastro ou reacender as brasas.. "
-Dante de Laytano (1908-2000)
Larissa Roso/Especial-ZH
O Rio Grande do Sul perdeu ontem um dos seus maiores folcloristas do século XX. Morreu às 8h, em Porto Alegre, vítima de insuficiência cardíaca, o historiador gaúcho Dante de Laytano. O presidente Fernando Henrique Cardoso lamentou a morte do pesquisador, lembrando que ele exerceu forte influência em seus estudos sobre a escravidão no Rio Grande (leia noutro quadro).
Laytano estava internado no Hospital da Ulbra havia 15 dias, com edema pulmonar. Foi velado no Salão Glênio Peres da Câmara Municipal de Vereadores e sepultado no Cemitério São Miguel e Almas no final da tarde de ontem.
O descendente de imigrantes italianos de Morano Cálabro nasceu em Porto Alegre em 23 de março de 1908. Notabilizou-se como cronista, historiador, folclorista e ensaísta, publicando inúmeros títulos sobre aspectos da história, cultura, literatua e culinária. Aos 17 anos, já era crítico de cinema.
Depois, estudou e formou-se em Direito. Na vida acadêmica, prosseguiu como professor de História, Literatura e Filosofia. Na Universidade do RIo Grande do Sul (UFRGS), Laytano teve marcante atuação junto a Associação de Ex-Alunos.
Foi presidente da Comissão de História e recebeu o título de Professor Emérito da universidade, em 1991, empenhando-se no resgate de documentos históricos.
A mesma nomeação foi concedida pela Pontifícia Universidade Católica, onde destacou-se pela criação da disciplina de História da América.
Laytano foi o primeiro diretor-presidente de Zero-Hora e durante muitos anos colaborou como articulista no jornal.
Seu primeiro casamento foi com Ilha de Almeida, de uma ilustre família de Rio Pardo, em 1936, mesmo ano em que ingresou como membro do Instituto Histórigo e Geográfico do Rio Grande do Sul. A carreira do historiador junto a entidades ligadas à cultura gaúcha foi notável, projetando-se para atuações de âmbito nacional - passou pelos cargos de diretor do Museu Júlio de Castilhos, presidente da Academia Rio-grandense de Letras, da Academia Brasileira de História e da Comissão Nacional do Folclore. Laytano brincava com os amigos que exercia apenas atividades não-remuneradas, faltando-lhe o convite para assumir a gerência de um banco.
O historiador lecionava no Colégio Júio de Castilhos à época do surgimento do movimento tradicionalista na escola, nos anos 40. O folclorista Paixão Côrtes relembra o professor Laytano como um grande incentivador do espírito regionalista entre os jovens. Em 1949, Laytano traria para o Estado a 3a Semana de Folclore, onde estudiosos do país teriam a chance de conhecer as tradições gaúchas.
Laytano presidia atualmente a Comissão das Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco-Ibec) no Rio Grande do Sul, instituída em 1958. Nos últimos anos, mencionou várias vezes a vontade de deixar a instituição, mas foi demovida da idéia pelos companheiros. A comissão gaúcha, afirmavam os colegas, não seria mesma sem ele.
Dante conheceu a portuguesa Teresa de Jesus em viagem à Europa. Algum tempo depois, ela viria para o Brasil para servir de governanta ao casal, um palacete rosa no início da Avenida Carlos Gomes. Lembrada pelos amigos da família como habilidosa cozinheira, Teresa viria a ser a segunda esposa de Laytano depois da morte de Ilha. O historiador vinha sofrendo de problemas respiratórios havia mais de um ano e realizava viagens terapeuticas ao Litoral, à Serra e às Missões.

Laytano consagrou-se como um dos mais
destacados intelectuais gaúchos de sua geração
banco de dados/ZH
Repercussão
"Eu tinha uma imensa admiração pelo Dante. Ele foi um intelectual de grande expressão e valia para o Brasil, e sua obra exerceu forte influência em meus estudos no Rio Grande do Sul".
Fernando Henrique Cardoso,
presidente da República
"É uma perda fundamental principalmente para o Rio Grande do Sul. Destaca-se o seu quase pioneirismo no estudo do foclore. O Dante proporcionou o enriquecimento indiscutível da nossa sociedade."
Luiz Pilla Vares,
secretário estadual de Cultura
"Recebo com pesar a notícia dessa grande perda. O professor Dante de Laytano foi um dos ícones do folclore gaúcho, um grande pesquisador. Deixou um grande referencial como profissional e como pessoa. Suas obras foram de muito valor para o ocnhecimento da identidade do povo do Rio Grande do Sul".
Alex Della Mea,
diretor do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore
"Se alguém usar a palavra folclore para traduzir hábitos e costumes do gaúcho deve citar Dante de Laytano. Ele trouxe uma nova conotação ao estudo, dando caráter científico aos aspectos que eram apenas orais. Seus livros são fonte obrigatória de consulta sobre literatura e a cultura gaúchas."
Paixão Côrtes,
folclorista
"Dante de Laytano foi um pioneiro. As primeiras pesquisas sobre o foclore negro no Rio Grande do Sul foram realizadas por ele, revelando ao mundo tda a pujança das congadas de Osório. ele pesquisou também a cozinha do Rio Grande, forte influência açoriana e, como titular da Comissão Gaúcha de Folclore, publicou trabalhos inestimáveis. Laytano foi folclorista e historiador, deopis de abandonar os poemas de sua juventude. O Estado perde o último dos grandes nomes da sua cultura no século 20."
Antonio Augusto Fagundes
antropólogo
Bibiografia
Confira os principais títulos publicads por Dante de Laytano:
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1931 - Uma Mulher e Outras Fatalidades
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1936 - História da República Rio-grandense
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1937 - Notas de Linguagem Sul-Rio-Grandense, a Fala do Gaúcho (tese apresentada no 1o Congresso de Língua Nacional Cantada)
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1940 - Os Portugueses dos Açores - A Consolidação Moral do Domínio Lusitano no Extremo Sul do Brasil (tema exposto no 3o Congresso de História e Geografia Sul-Rio-Grandense)
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1945 - Bibliografia do Rio Grande do Sul - Obras de Literatura, Poesia
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1961 - Pequeno Esboço de um Estudo do Linguajar Gaúcho-Brasileiro
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1979 - Manual de Fontes Bibliográficas para Estudo da História do Rio Grande do Sul
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1981 - A Cozinha Gaúcha na História do Rio Grande
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1981 - O Linguajar do Gaúcho Brasileiro
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1983 - Origem da Propriedade Privada no Rio Grande do Sul - séculos 18 e 19
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1984 - Foclore do Rio Grande do Sul
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1986 - Mar Absoluto das Memórias
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1987 - Arquipélago dos Açores
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1988 - Presença Calabresa - Projeção Histórica de Morano Cálabro

Entre inúmeros cargos, o foclorista, historiador e professor
porto-alegrense foi presidente de honra da Academia Rio-Grandense de Letras
banco de dados/ZH
Um mestre generoso
Dante de Laytano mostrava-se invariavelmente simpático
e disponível na ajuda a pesquisadores
Antonio Hohfeldt
Coordenador do programa de
Pós-Graduação da Famecos/PUCRS
Natural de Porto Alegre, formado em Direito, tendo desempenhado inúmeras funções administrativas no âmbito estadual e federal, Dante de Laytano foi, antes e acima de tudo, professor e pesquisador.
Dificilmente aqueles que passaram pelo Instituto de Filosofia da UFRGS, aqueles que se dedicaram à História, em especial do Rio Grande do Sul, os que desenvolvem pesquisas em campos tão variados quanto o folclore, a historiografia, a literatura ou a confecção de dicionários deixam de ter uma dívida com o grande mestre. Acima de tudo, Dante de Laytano soube esbanjar e repartir simpatia e disponibilidade, sobretudo para os jovens que se iniciavam naqueles campos em que atuava.
Presidente de Honra da Academia Rio-Grandense de Letras, membro honorário do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul, cronista, historiador, sociólogo, crítico literário, dramaturgo e genealogista, Laytano se desdobrava por um número quase infinito de áreas.
Não há como se pensar os estudos sul-rio-grandenses sem referir sua contribuição fundamental e às vezes genial. Basta lembrar obras como Os Africanismos do Dialeto Gaúcho, O Negro e o Espirito Guerreiro nas Origens do Rio Grande do Sul, A Fala do Gaúcho, Os Portugueses de Açores na Consolidação do Domínio Lusitano no Extremo Sul do Brasil , para citar alguns de seus trabalhos pioneiros, abrindo campos de pesquisa que, se hoje em dia são comuns, nas décadas em que foram desenvolvidos por ele eram absolutamente inéditos.
Especificamente no campo da história, seus livros como História da República Rio-Grandense, História da Propriedade das Primeiras Fazendas do Rio Grande do Sul, O Folclore no RIo Grande do Sul , dentre outros, são atuais ainda hoje.
Dante de Laytano atuou, além do mais, como tradutor, por exemplo, da Viagem ao Rio Grande do Sul , de Arsène Isabelle, ou Antes do Almoço , monólogo de Eugene O'Neill, tendo descoberto ainda textos originais inéditos de escritores do século 19, como a novela Patuá , de Carlos Jansen, sobre a qual, na ocasião, desenvolveu extenso estudo.
Não deixou ele de experimentar a produção literária, com um livro de contos, em 1931, além de uma comédia estreada pelo Grêmio de Amadores Teatrais do Colégio São Luís, de Porto Alegre, no distante ano de 1926, ecrevendo ainda para o teatro, naquela época, Por Causa do Retrato, Nos Jardins da Vida e Crisântemus .
Responsável pelo Gabinete Português de Leitura ao longo de muitos anos, publicando a Revista do Museu e Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul, respondendo pelo Boletim Bibliogr´fico da Biblioteca Central da UFRGS, Laytano era um estupendo causeur , sempre pronto a uma história e a uma piada, com espírito extremamente crítico mas, ao mesmo tempo, uma imensa empatia para com as coisas da cultura e os seres em geral.
Por tudo isso, sobem a centenas os textos ainda não reunidos - porque dispersos em revistas, páginas de jornais e anotações de seus arquivos pessoais - que aguardam publicação. A morte física de Dante de Laytano, enorme perda para o Rio Grande, compensa-se, de certo modo, pela certeza de que tudo o que produziu não estará perdido.
Sua família, aliás, tem plena consciência disso, e é de se esperar que, em breve, possa-se dar conhecimento de todo esse conjunto magnifíco de dedicação à causa do Rio Grande, que esse descendente de italianos, tão identificado com o universo açoriano e gauchesco, nos deixou como herança.
- DEDÉ CUNHA

(produzida a partir de uma entrevista)
Por Ramão Aguilar (*)
Antonio Dedé Cunha (nome artístico Dedé Cunha), nascido no, então, 5º Distrito de São Borja, atual município de Garruchos, em 25 de janeiro de 1930, Policial Reformado no posto de 2º Sargento da Brigada Militar, reside em São Borja na Rua Serafim Dornelles Vargas com sua família.
Aos cinco anos, seu pai lhe deu uma gaita de boca e logo em seguida arrumou uma gaita de oito baixos com uma vizinha e comadre, senhora Darci Cabeleira, que também tocava gaita, (me disse: Ela tocava gaita muito bem), da qual Dedé Cunha tem muito orgulho de lembrar, como se fosse uma madrinha de sua arte, pois com ela aprendeu a executar a primeira música de seu repertório, uma rancheira, que nunca deixou de tocar, embora por muitos anos nem o nome soubesse e, quando era perguntado, dizia que era uma Rancheira Sem Nome.
Bem mais tarde ficou sabendo que a música era de autoria de uma senhora residente em São Luiz Gonzaga. Descobriu o nome da Rancheira e o ano em que ela foi criada, 1920, dez anos antes de seu nascimento, quando ouviu, por acaso, o filho de essa senhora tocar a rancheira, ele ficou sabendo que o nome da música era: “Por Aqui, Por ali”, com autorização da família gravou-a em seu CD “Abraço Missioneiro”.
Mais tarde, seu pai lhe comprou uma gaita piano. Nesta época, não existia rádio na campanha, então, se juntavam os gaiteiros para tocar e criar música, ou seja, aumentar o repertório. No entendimento de Dedé Cunha, o fato de não ter como escutar músicas tanto pelo rádio como em toca-discos, essa necessidade proporcionou uma facilidade na arte de criar música.
Dos gaiteiros, que na época reuniam-se para tocar gaita, ele cita com muito orgulho o senhor Francelino Ávila e diz que o mesmo foi sua escola fundamental de sua carreira artística, mas foi no saudoso Reduzino Malaquias, que encontrou seu paradigma. Disse-me com entusiasmo: “igual ao Reduzino, pode vir quem vir que não tem”. Foi meu professor. Um dia, ele esteve em minha casa, almoçou, sesteou e fiquei esperando ele levantar para pedir que ele tocasse pra mim. Aflito, logo que ele levantou, “fui correndo preparar um mate, mateando, ele tocou o resto da tarde, ele gostava de tocar gaita”.
Com o cantor alegre do Rádio, Pedro Raymundo, quando vinha a São Borja, ia aos programas de Rádio e tocaram junto um baile no Clube União no Passo e o Pedro com sua gaita cromática.
Cantou as músicas de Pedro Raymundo quando tinha a gaita piano, depois voltou pra gaita de botão a pedido do saudoso Oneide Bertussi, que na época, teria conseguido um contrato com a gravadora Copacabana para ele e o Tio Bilia, o qual acabou desistindo do mesmo. Mais tarde, foi pelas mãos do cantor missioneiro Pedro Ortaça, com quem manteve uma parceria por dezesseis anos, a assinatura do contrato com a Gravadora Copacabana do seu primeiro LP “Cordeona de Três Ileras”.
Seus parceiros tanto de tocatas como de gravação foram os seguintes: Francelino Ávila, Getúlio Luiz da Silva, (parceiros amadores); Pedro Ortaça acompanhou em gravações de cinco Cds e apresentações por dezesseis anos; Noel Guarani ( nas folgas), Mano Lima, em gravações e apresentações, Amigo Souza, João Paulo Molina, em gravações.
Resumidamente, a sua obra consta de dois LPs gravados pela Copacabana, um gravado pela CITE, dois CDs gravados pela Usa Discos, um trabalho de resgate para CD, pela Gravadora EMI, dos dois primeiros LPs. E Várias participações especiais em gravações de discos de colegas de arte, inclusive, com Pedro Ortaça em cinco CDs.
Disse: que em suas andanças sempre levou o nome de São Borja, tanto no Brasil como no exterior.
Dedé Cunha teve reconhecido seus valores pelo Centro Cultural de São Borja, quando recebeu o troféu “Roquito”, confeccionado pelo artista plástico Rosssini, das mãos do Presidente do Centro Cultura colega Augusto Weber, em programação comemorativa ao aniversário da entidade.
(*) Pesquisador – (21/10/2007).
- DÉLCIO TAVARES
Mesclar a tradição gaúcha com o romantismo da música italiana é uma marca do cantor ítalo-gaúcho, Délcio Tavares, nascido em Tenente Portela e vivendo atualmente na cidade gaúcha de Novo Hamburgo. Vencedor de vários festivais nativistas do Estado, foi também condecorado pela Assembléia Legislativa do RS, com o Prêmio Vitor Mateus Teixeira, em 2006, e indicado como representante oficial do Brasil no 39º Festival de San Remo, na Itália. Com toda a sua experiência, Délcio estréia agora um programa próprio: Mate de Esperança, que irá ao ar pela BAND RS, aos domingos, às 9 horas. A proposta do programa é mostrar a diversidade cultural do Rio Grande do Sul através de entrevistas com personalidades conhecidas do Estado. O programa que terá repercussão estadual.
Maiores informações no site do cantor: www.delciotavares.com.br
Dorotéu Fagundes , o Gaudério por Nico Fagundes
Não há índio mais gaudério que este Dorotéu. Não sabe ficar quieto num só lugar, hoje está aqui, amanhã onde estará?
Nasceu na cidad e de Uruguaiana, filho do casal Dorotéu e da minha prima irmã e querida amiga Cecília, que faleceu muito moça, mulher religiosa, que procurava criar os cinco filhos dentro da doutrina da igreja metodista. Metodista o Dorotéu foi até conhecer Tânia Mara Carvalho Flores, espírita, mulher de grande caráter, a quem muita gente credita os grandes acertos que o Dorotéu tem, sobre tudo na criação dos três filhos: Antonio, Renato e Maurício. O Antonio, aliás, é um virtuose do violão que hoje vive nos Estados Unidos. O Renato também toca violão, é compositor e cantor. E o Maurício, que recebeu o nome do famoso tio-avô, o coronel Maurício de Abreu, que tombou no combate da ponte do Ibirapuitã em 23, foi o guri mais bagaceira que eu conheci, talvez por isso mesmo o meu predileto. Os três guris são cavaleiros e - agora dois- são sempre companheiros do pai em gauchadas.
O Dorotéu , a quem eu chamo carinhosamente de "Louco", viveu a infância entre a cidade e a campanha, nos vais e vens profissionais do pai, estudando desde o primário até o segundo grau no Colégio União. Foi acompanhando o pai que desenvolveu as lidas campeiras no Imbá e em São Marcos e fazendo escotismo no seu amado Colégio União. Mas foi graças ao avô materno Cantilio Fagundes, o mais gaudério de todos na família do velho João Batista, que o "Louco" conheceu o violão. Com onze anos beliscou os primeiros acordes no violão do tio materno João Antonio e nunca mais se separaram. Em pouco tempo o "Louco" se descobriu cantor, poeta e compositor. Aos quinze anos, já autor de poemas fez com ajuda de "Flaco José Luiz Villela" a belíssima e original mazurca Canção da Estrada. E esteve em seguida na Califórnia da Canção Nativa acompanhando no palco o grupo Terra Viva nas canções do saudoso amigo José Hilário Retamozo. Moço ainda, mas já fazendo nome o Dorotéu se bandeia para Porto Alegre, inquieto e gaudério, empunhando o violão como bandeira e o talento irresistível como brasão. Em seguida vai ser o coração sonoro de um movimento que revolucionou Porto Alegre e repercutiu no Rio Grande inteiro, com a fundação da Pulperia, a remodelação do Vinha Dalho e a reestruturação do Macanudo e logo depois o Bolicho da Praça, em Palmeira das Missões.
E aí o "Louco" não parou mais, até hoje. Organiza a Tarca, que é a empresa que centraliza as suas atividades. Organizou e dirige até hoje o programa de rádio Gauchesco e Brasileiro que hoje é transmitido em cadeia por setenta emissoras de rádio no Brasil e duas na Argentina. Nos últimos cinco anos apresenta com muito sucesso o programa Galpão do Nativismo na Rádio Gaúcha. Gravou individualmente dois CDS e um LP e integrando o grupo Fagundaço gravou mais um LP.
Mas eu acho que a ânsia de gaudério no "Louco" está mais viva do que nunca e vai dar frutos esplêndidos. Ele está sempre viajando - pelo Rio Grande, pelo Brasil, pela América, pela África, pela Europa e pela Ásia - sempre imaginando coisas, fazendo planos, semeando idéias. Como presidente e fundador do Instituto Cavaleiros Farroupilhas ele apoiou vigorosamente o prefeito José Vicente Ferrari, de São José do Norte, quando organizou a 1ª Cavalgada da Invasão Farroupilha, para relembrar o ataque dos farrapos aquela cidade histórica, onde Garibaldi tomou parte. Nasceu daí a idéia de se batizar com o nome do herói de dois mundos o grande Porto Internacional que a Aracruz vai construir ali. E quando chegar o primeiro navio, que virá de Nice para inauguração, ali estarão para recebe-lo os Cavaleiros Farroupilhas, com a bandeira das três cores. E Dorotéu Fagundes estará montado, no comando, acompanhado pelos seus três filhos, cheios de justo orgulho.
- EDU NATUREZA - Novo Brasil
Compositor, multi - instrumentista, arranjador, cantor, letrista e professor de música com mais de 30 anos de trabalho, sempre na divulgação e valorização da Música Popular Brasileira. Em sua trajetória, dezenas de apresentações em países da Europa (França, Itália, Alemanha e Suíça) e do Brasil (Rio de Janeiro, Vitória, São Paulo, Florianópolis), bem como em diversos projetos culturais em Porto Alegre e interior do RS.
A temática de suas composições trata da valorização da vida, da preservação da natureza e da cultura, da paz e da ética, do trabalho e de uma sociedade mais justa e fraterna.
As composições são criadas tendo como base ritmos de diversas regiões brasileiras, como Samba, Choro, Xote, Chamamé, Partido Alto, Candombe, Baião, Afoxé, Frevo, Bossa Nova, Marcha-Rancho, Maracatu, Xaxado, Forró Pé-de-Serra, Valsa, Compassos de 5/4, 7/4 e 6/8, e suas fusões que resultam em combinações inéditas.
- ELTON, O PIÁ BENICIO - ELTON BENICIO ESCOBAR SALDANHA
A vida de Elton Saldanha daria um romance. Ou melhor, uma minissérie da Globo, onde não faltam aventuras, peleias, música e amor. Elton Benício Escobar Saldanha, descendente de famílias nobres pelos dois lados, nasceu no bairro da Chácara, que era uma grande propriedade da família Escobar, onde terminava Itaqui e começava o mundo apertado entre dois rios, o Ibicuí e o Uruguai, vivas e nostálgicas impressões que marcaram o Piá desde a infância. Do privilegiado observatório da janela do bolicho do pai, o Elton viu peleias inenarráveis. O pai mesmo, um trabuzana, matou numa peleia de tiros e facadas um valentão na frente do menino Elton... E de uma vez escorou o próprio filho adolescente no bico de um trinta e oito engasgado de bala!
Mas o Piá não era santo. Quando guri aprendeu a esquilar, a trançar, a colher arroz de foice, a montar. Nos rios da infância, tornou-se um grande nadador. Na periferia da cidade, foi um juvenil de futuro nos times de futebol até quebrar a perna com fratura exposta numa disputa feia. Mas até hoje joga futebol muito bem, nada como um campeão e é um semideus a cavalo. Na adolescência, com o violão batendo como um coração fora do peito, meteu-se nos ranchos do chinaredo e descobriu um estranho paraíso violento e passional. Fascinado pelo exército, a dura realidade da caserna nesses tempos de ditadura militar chocou-o de tal sorte que depois de poucos meses conseguiu largar a farda por excesso de contingente. Moço feito, cantor e compositor de sucesso, veio para Porto Alegre trazido por Juarez Bittencourt e não parou mais de acumular prêmios. E amores. Tem 16 discos gravados e um DVD e mais de 800 canções gravadas por ele mesmo e pelos melhores artistas e conjuntos do pago. Foi presidente do IGTF e diretor do IEM. Como brilhante membro dos Cavaleiros da Paz já percorreu a cavalo países da América Latina e da Europa. Agora formado em jornalismo, não vai parar. Durante três anos, apresentou o programa Fandango na TV Educativa. Foi ator de TV (O Tempo e o Vento e A Casa das Sete Mulheres da TV Globo). Como compositor/ intérprete, venceu festivais como a Califórnia de Uruguaiana, o Musicanto de Santa Rosa, a Barranca de São Borja, a Tafona de Osório, a Moenda de Santo Antonio da Patrulha e outros. É autor de canções antológicas como Eu Sou do Sul, Cardeais e o Hino dos Cavaleiros da Paz.
É filho muito mimoso de dona Ártemis e do seu Nélson. O Piá é inquieto, inteligente, amigo de seus amigos e adorado pelas mulheres. Durante muitos anos, ele e o Leopoldo Rassier dividiam o título de maiores conquistadores do gauchismo. Mas agora vai casar e sossegar o pito. Mas só em questões de amor, porque vai continuar inventando novos rumos. O Elton Saldanha é um dos meus maiores amigos e eu costumo dizer que ele é meu irmão mais moço, pelo qual tenho carinho e uma enorme admiração.
Quando casar com a bela Renata, vai se retirar para um rancho na beira da Lagoa dos Patos, com seu violão, com sua imensa capacidade de criação. E há de continuar cantando, para nossa alegria.
Fonte: Coluna do Nico Fagundes em Z.H.
- ÉRLON PÉRICLES - São Luiz Gonzaga
É um dos compositores mais premiados no movimento dos festivais. Teve suas canções gravadas pelos mais diferentes intérpretes da música regional, o que o torna um dos mais versáteis compositores da nova geração, transitando entre os mais diferentes estilos musicais. Érlon tem 3 Cds gravados. O mais recente, "Mais Gaúcho" traz canções conhecidas como Rio Grande Véio e De cima do arreio.
- ERNESTO FAGUNDES - ERNESTO VILAVERDE FAGUNDES
Ernesto Vilaverde Fagundes nasceu em Alegrete a 18 de janeiro de 1968. Aprendeu violão com o primo Quico e, aos oito anos, dançava chula no CTG Vanqueanos da Fronteira. Em 1978 e 1979, começa participar de festivais, ao lado de Bagre e Neto, tocando bombo leguero. No ano seguinte, participou da Campereada Internacional de Alegrete, apresentando, com o "Grupo Inhanduy", o Canto Alegretense. Então, começa a se apresentar em vários festivais junto de Bagre e Neto, sempre como leguerista.
Em 1985, mudou-se para porto Alegre, onde passa a trabalhar com Neto, Elton Saldanha e Dante Ledesma. Um ano depois, fez sua primeira gravação como intérprete no LP "Fagundaço".
Ernesto Fagundes tem como marca registrada o seu instrumento musical - o típico Bombo Legüero. Em carreira solo, já lançou quatro CDs: Ernesto Fagundes, Guevara Vivo, Sul e A Hora do Mate. Músico regionalista reconhecido em todo o País, tem ganhado, agora, espaços no cenário internacional. Recentemente, se apresentou no Museu do Louvre, em Paris, integrando o projeto "Ano do Brasil na França". Juntamente com a sua família - os Fagundes - assina outros quatro trabalhos: Fagundaço, Natal Luz, Galpão Crioulo e Para Todas as Querências. Para mais informações sobre Ernesto Fagundes, acesse www.osfagundes.com.br .
Destaques do repertório:
- Herdeiro da Pampa Pobre - música composta pelo Gaúcho da Fronteira e Vainê Darde que fez sucesso numa regravação (saiu em 1999, no disco "Várias Variáveis"), da banda Engenheiros do Hawaii;
- Si se calla el cantor - Composta em 1973, pelo compositor uruguaio Horacio Guarany, que fez sucesso na voz da cantora Mercedes Sosa;
- "Querência Amada" - Um clássico composto pelo Teixeirinha (um dos maiores compositores da música gaudéria, já falecido e muito cultuado), que os Ernesto e o Gaúcho da Fronteira cantarão juntos no concerto.
- ERNESTO FAGUNDES - por Nico Fagundes
Quando o Ernesto nasceu, a América vivia sob a emoção da morte de Che Guevara, em plena ditadura militar. Os pais, Bagre e Marlene, viram que o gurizinho era a cara do guerrilheiro famoso e quiseram homenageá-lo - Ernesto Villaverde Fagundes. Na ocasião, eu lhe dediquei alguns versos: "No píncaro boliviano não faltará em Vallegrande outra voz que nos comande no porvir americano, porque ao argentino-cubano, que se mata e não se vence, porque a si não mais pertence, mas à América e à Glória, há de honrar-lhe o nome e a história o Ernesto alegretense". Proféticas palavras: aquele gurizinho nasceu predestinado a vencer.
Aos oito anos de idade e à sombra do pai, aficionado ao nativismo castelhano, o Ernesto começa a brilhar vencendo todos os concursos de sapateio - chula e malambo - na invernada mirim do CTG Vaqueanos da Tradição na velha Capital Farroupilha. Mas não cantava, o cantor da família era o mano Neto. Um dia, passando pelo Alegrete, eu lhe dei um bombo legüero, um dos dois primeiros instrumentos deste gênero vindos para o Brasil. Foi amor à primeira vista, nunca mais se separaram. Na adolescência, o Ernesto começa a cantar e aí, para a surpresa de todos, se revela um baita cantor.
Muito moço ainda, com o Neto e o Bagre já brilhando em festivais e espetáculos gauchescos, eu insisti para que ele viesse a Porto Alegre e aí não parou mais de brilhar. Hoje possui quatro CDs gravados e é parte importante nos trabalhos gravados do grupo Os Fagundes. O seu disco Guevara Vivo, lançado em Havana, está no Museu Guevara na capital de Cuba.
Ernesto já se apresentou no Museu do Louvre, em Paris, em Havana, em Verona e Veneza, na Itália, no México, nos Açores, em Hong Kong e em Buenos Aires. Brilhou no Fórum Social Mundial com o espetáculo Guevara Vivo e vive fazendo apresentações com Os Fagundes pelo Estado inteiro, em Santa Catarina , no Paraná, em São Paulo , no Rio de Janeiro, em Brasília. Como radialista, apresenta na Rádio Rural o programa A Hora do Mate e o Galpão do Nico. É parte importante do projeto Teixeirinha Memória Nacional e está preparando outro CD para agosto e produzindo o novo DVD dos Fagundes. Marido apaixonado da bela Juliana e orgulhoso pai da Manoela, Ernesto é muito apegado à família Fagundes, do pai, e à família Villaverde da mãe. É também irmão do Paulinho, virtuoso da guitarra.
Ernesto é um dínamo, irrequieto, de simpatia irradiante. Embora seja o mais jovem dos Fagundes é na prática o diretor do grupo, ao lado do irmão Neto, do pai Bagre e do tio que escreve estas linhas. Nunca ninguém viu o Ernesto mal-humorado. Seu sorriso é famoso. Eu costumo dizer que ele tem 380 dentes e sorri com todos eles...Vai longe esse guri. Quem gosta de música regionalista gauchesca e das canções argentinas, gosta do Ernesto. Quando artistas argentinos visitam o Rio Grande, como Mercedes Sosa, é certo que lá, ao lado do astro ou da estrela estará o pequeno grande Ernesto batendo bombo, dedilhando um violão ou cantando. E sorrindo, claro.
Fonte: Coluna do Nico Fagundes em Z.H.
- GETÚLIO DOS SANTOS

(O Trovador Missioneiro)
*Ramão Aguilar (a partir de uma entrevista)
Getúlio Becker da Silva (nome artístico Getúlio dos Santos ), Cantor, trovador e compositor do nosso cancioneiro gaúcho, nascido em 10/06/1951, no então 2º Distrito de São Borja, RS, atual município de Itacurubi, filho de Enedina Becker dos Santos e Laudelino Lima da Silva, ela, natural da Bossoroca-RS e ele natural de Atual Município de Itacurubi. Em 1964 o casal, juntamente com seus seis filhos, passou a residir em São Luiz Gonzaga – RS. Onde Getúlio estudou até a 5ª Série. Desde criança já tinha pendões para a arte de cantar, e, em 1972, recebeu o convite do Locutor Senhor Olívio de Mattos, para apresentação em um programa de palco e auditório da Rádio São Luiz de São Luiz Gonzaga, quando fez sua primeira apresentação em público, cantando uma música do saudoso Gildo de Freitas, “Definição das Pilchas”. Depois, já adulto, foi embora para Santo Ângelo – RS fez parte do Grupo “Os Ginetes”, integrado também por Belarmino Lourega (acordionista), Dorival Pereira (guitarrista) e Darci Bisonin (acordionista), Renato (contrabaixista) e o Beto (baterista), por oito anos, sendo o vocalista, Gravou, juntamente com este Grupo, seu primeiro LP, pela Isaek, tendo uma vendagem de vinte mil LPs, fato considerável nessa época, que atesta o sucesso do Grupo “Os Ginetes”. Das doze composições do disco, seu carro chefe foi à música “Velha Gaita”. Com a dissolução do Grupo, em 1978, Getúlio dos Santos foi trabalhar na Rádio “Sepé Tiarajú”,de Santo Ângelo, que atinge cento e oitenta municípios, onde apresentou o programa regionalista “Terra que Canto”, aos domingos das 18hs.e 30 min. Às 19hs.e 30min. Por nove anos. Contratado pelos partidos políticos ou candidatos toda a vez que havia eleição, tanto municipal ou estadual ou federal, era chamado para trabalhar durante a campanha, para improvisar versos a favor do candidato que o contratava, alguns deles: Saudoso José Alcebíades de Oliveira e Leônidas Ribas. Deputado Luiz Valdir Andrés, Alberto Wachester, Mauro Azeredo e tantos outros. Profissão que continua exercendo. A partir de 1987 partiu para carreira solo, gravando três CDs, sendo o mais recente o CD denominado “O Trovador Missioneiro”, com a supervisão geral do Cantor e Trovador Valdomiro Mello, teve uma vendagem de quarenta e dois mil CDs. Integram o disco as seguintes músicas: Rincão dos Vieiras, O Cantor Missioneiro, Deixade Arte Nicolau(José Daltro Santana), Xirú Gaudério, Nosso Destino, Pago Nativo, Vanerão da Minha Terra (Belarmino Lourega), Flor Missioneira(Dorival Pereira), Crença do Pago, Velha Gaita, Sistema Riograndense, Força de Vontade, Coisas Que Eu Gosto(Cleber Mércio) e Saudades Correntina (Belarmino Lourega). Com vários troféus e distinções acumulada ao longo de vinte anos, Getúlio dos Santos , destaca-se no Rio Grande do Sul entre os principais trovadores, com apresentação em todo o Brasil. Contatos: São Miguel das Missões: 9991-4973 (Valter).
* (pesquisador) – 1º/11/2008.
GILBERTO MONTEIRO - (aguardando dados)

- GLENIO FAGUNDES, O Santo POR NICO FAGUNDES
O Dr. Albino Portela Fagundes e a Dona Amélia Cabral Portela Fagundes eram duas pessoas maravilhosas, a quem conheci muito, pais de Glênio e Paulo, meus amigos e meus irmãos de poucas e boas que fizemos pelos caminhos do Rio Grande, do Brasil e da América Latina.
O Paulo, a quem eu carinhosamente chamava de Bola, tinha um ouvido mágico, era um belo violão, bom gaiteiro e tinha uma voz privilegiada. Até a morte do Bola os dois irmãos eram inseparáveis. Até casaram com duas irmãs. O Bola nos deixou prematuramente, mas o Glênio, graças a Deus, está conosco, com sua ternura, com seu violão inseparável, e com seu programa Galpão Nativo, há 25 encantando o Brasil pela TVE.
O Glênio nasceu em Cacequi, quando o pai era médico da rede ferroviária e ali viveu até os 18 anos, quando se transferiu para a cidade de Rio Grande e depois definitivamente para Porto Alegre. Eu conheci os dois irmãos em 1955, graças a minha amizade com Jarbas Cabral, irmão da dona Amelinha. O Jarbas foi quem introduziu, com seu violão e sua voz privilegiada, o cancioneiro argentino entre nós. Nos seus tempos de rádio, ele usava o nome artístico de Carlos Medina. Quando surgiu o programa Grande Rodeio Coringa, o Jarbas criou o conjunto Os Gaudérios, referência obrigatória da música regionalista gauchesca. O Glênio sempre foi o seu discípulo predileto. Em 1959, quando fundamos o Conjunto de Folclore Internacional, lá estava o Glênio e o Paulo cantando e tocando. Mais tarde, seguindo o rastro do tio famoso, o Glênio fundou e dirigiu o conjunto Os Teatinos, que teve notável atuação enquanto existiu. Glênio tem o seu livro Cevando o Mate com várias edições e agora está preparando o Poemas Terrunheiros, Aforismos e Relampejos, reunindo a sua considerável obra poética. Gravou, também, um disco com suas composições e dois com Os Teatinos.
Nós temos dois santos autênticos no gauchismo: um é o Glênio e o outro é Paulinho Pires, homens no verdadeiro sentido da palavra, artistas que dividem com os outros generosamente o dom que receberam de Deus, de transformar em música e poesia o mundo à sua volta. O Glênio está aí. Na sua casa, rodeado pelo amor da esposa Tita e dos filhos Nicássio, Cassiana, Osíris, Terêncio, Horácio e Juvêncio, que já lhe deu a neta Bibiana, mas rodeado também de amizades e do respeito do Rio Grande inteiro, que tem por ele e por sua obra um carinho muito grande. O Glênio é um homem profundamente espiritualizado, que conversa com as plantas e com os bichos do campo. Seu jeito simples, com a melena e a barba entordilhando, é a imagem daqueles gaúchos antigos, santos e guerreiros dos nossos galpões. Por onde passa, o Glênio deixa um rastro luminoso. Ouvi-lo falar é beber filosofia e ternura. Ouvi-lo tocar o violão com boca de salamanca é retovar-se de magia e encantamento.
Fonte: Coluna do Nico Fagundes em ZH-04/06/2007
GILDO DE FREITAS

Gildo de Freitas: o Patrono dos Trovadores Gaúchos!
Leovegildo José de Freitas, Gildo de Freitas (Alegrete, 19 de Junho de 1919 - Porto Alegre, 4 de Dezembro de 1982) foi um cantor, trovador, músico e compositor do Rio Grande do Sul. Seu estilo foi muito parecido com o do Teixeirinha, de quem foi rival e por quem era muito respeitado. Filho de Vergílio José de Freitas e Georgínia de Freitas, teve muitas profissões, sendo a de cantador que veio imortalizá-lo. Em 1931, Gildo de Freitas fugiu de casa pela primeira vez, aos 12 anos de idade. Em 1937 é tido como desertor, por não ter se apresentado à convocação militar. Envolveu-se na primeira briga séria, onde morreu um jovem amigo, e foi preso pela primeira vez, passando a nutrir um sentimento de ódio pela polícia. Em 1941, casou-se com Dona Carminha, passando a ter morada fixa no bairro de Niterói, em Canoas, Grande Porto Alegre. E os contratempos com a polícia continuaram. Em 1944 nasceu o seu primeiro filho, após a perda de dois. Gildo, nessa época, começou a viajar e a ser reconhecido como trovador. Em 1949 o trovador, já com fama em todo o Estado do Rio Grande do Sul, desapareceu de casa, reaparecendo na fronteira gaúcha. Em longa temporada passada no Alegrete, o cantor mal conseguia caminhar, em decorrência de uma paralisia nas pernas. Entre 1950 e 1951, conheceu Getúlio Vargas, em São Borja, entrando na sua campanha política. As perseguições policiais cessaram. Realizou, então, a sua primeira viagem ao Rio de Janeiro. Nos idos de 1953 e 1954 começou a ficar famoso como trovador nos programas de rádio ao vivo, em Porto Alegre , voltando a viver com a família no bairro Passo d`Areia. Em 1955, encontrou-se com Teixeirinha, passando a se identificar muito com ele. Começou a realizar muitas viagens, mudando-se para o bairro Passo do Feijó e abrindo o seu primeiro bolicho. Ente 1956 e 1960 foi a maior atração do programa Grande Rodeio Coringa, que ia ao ar aos domingos à noite. Passou, então, a viajar mais com Teixeirinha. E a partir de 1961, com o declínio dos programas de rádio ao vivo e o início da televisão, Gildo resolveu abandonar a carreira de cantor e se propôs a criar porcos. Em 1963, viajou a São Paulo para gravar o seu primeiro disco. Em 1964 é lançado o seu primeiro LP, mas, em meados do ano, é convidado a prestar depoimento sobre as suas ligações com o Trabalhismo. Em 1965 iniciou a sua célebre disputa com Teixeirinha, por meio dos discos. Convidado por Jango para viver no Uruguai, Gildo não aceitou. Entre 1970 e 1977, foi várias vezes internado em hospitais. No entanto, obteve sucesso popular nas gravações e realizou muitas viagens. Nesse período, a sua disputa com Teixeirinha chegou ao seu ponto máximo. Mudou-se, então, para Viamão e, em 1978, inaugurou naquela cidade a Churrascaria Gildo de Freitas, dando início aos bailões. Em 1982 gravou o seu último disco, pela mesma gravadora dos seus trabalhos musicais anteriores: a Continental. Em 1982 deu-se a sua última internação em hospital e as suas últimas aparições públicas em programas de TV. Moreu aos 4 de dezembro daquele mesmo ano. A Lei Estadual/RS Nr. 8.819/89 tornou a data de falecimento de Gildo de Freitas o Dia do Poeta Repentista Gaúcho . (Fonte: Fonseca , Juarez (1985). Gildo de Freitas : Coleção Esses Gaúchos . Porto Alegre: Editora Tchê; e Wikipédia, a enciclopédia livre:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Gildo_de_Freitas )
-HUGO RODRIGUES RAMÍREZ

Nasceu em Uruguaiana a 12 de abril de 1922. Educador, jornalista, advogado, conferencista, poeta, escritor e tradicionalista. Membro efetivo da Academia Rio-Grandense de Letras, da qual foi presidente por duas gestões. Idealizador e principal organizador em 1957, da Estância da Poesia Crioula, entidade que presidiu por três gestões. Como escritor, publicou mais de setenta títulos, sendo trinta e oito de ensaios pedagógicos e sociológicos. Teve seu romance "Rio dos Pássaros", enaltecido pela Academia Brasileira de Letras, colocando-o ao lado dos grandes romancistas brasileiros. Como tradicionalista, foi fundador do 13º CTG a ser fundado no Estado, o "Galpão Campeiro" de Erechim, em dezembro de 1952. Integrou a primeira patronagem do pioneiro "35" CTG. Foi 3º Vice-Presidente do 1º Congresso Tradicionalista Gaúcho em 1954 e Presidente do 50º Congresso em 2004, ambos realizados no mês de julho, na cidade de Santa Maria.
Foi Presidente por duas gestões, do Movimento Tradicionalista Gaúcho-MTG, 1970 e 1971, ocasião em que idealizou o festival pioneiro da música nativista - a Califórnia da Canção de Uruguaiana.
Hugo Ramírez faleceu no Hospital Ernesto Dornelles de Porto Alegre, às 23h45min de 01.08.2007, foi velado no "35" CTG e sepultado no Cemitério João XXIII, às 10h de sexta-feira do dia 03/08/2007
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- JAYME CAETANO BRAUN

Nasceu em 30 de janeiro de 1924, na Timbaúva, distrito de São Luiz Gonzaga (RS), hoje pertencente ao município de Bossoroca. Foi alambrador, tropeiro e curandeiro. Um artista missioneiro que fez de sua terra o seu mundo, de sua aldeia, uma pátria.
Sonhava em cursar Medicina , mas formou-se em jornalismo. Sua imensa cultura foi apurada no período em que ocupou o cargo de diretor da Biblioteca Pública do Estado, entre 1959 e 1963.
Especializou-se em décimas (poemas com estrofes de 10 versos). Os poemas, que começou a escrever piazito, por influência da família, foram publicados em vários livros. O primeiro, Galpão de Estância (1954), trazia versos de temática campeira, quase sempre dedicados a objetos do universo do homem da Campanha: relhos, chilenas, laços, carretas.
Na década de 70, trabalhou como radialista na Rádio Guaíba, onde apresentava o programa "Brasil Grande do Sul", que ia ao ar aos sábados pela manhã. Ele também foi funcionário público estadual. Trabalhou no Instituto de Pensões e Aposentadorias dos Servidores do Estado (Ipase) .
Considerado o maior pajador do Rio Grande do Sul, foi membro e co-fundador da academia nativista Estância da Poesia Crioula, em Porto Alegre (RS). Poeta regionalista, costumava usar os pseudônimos de Piraju, Martín Fierro e Andarengo. Carismático, tornou-se popularmente conhecido não só no Brasil, mas também em países como Uruguai e Argentina. Vários CTGs lhe homenagearam, inclusive em v i da, atribuindo-lhes o nome de "Jayme Caetano Braun", em várias cidades brasileiras, inclusive na Capital Federal.
Entre seus poemas mais declamados pelos poetas regionalistas do país inteiro, destacam-se "Tio Anastácio", "Bochincho" e "Galo de Rinha".
Jayme faleceu em 08 de julho de 1999, às 5h30, na Clínica São José, em Porto Alegre , vítima de complicações cardiovasculares, depois de receber quatro pontes de safena e enfrentar problemas de depressão e tentar o suicídio.
- JAIRO "LAMBARI" FERNANDES
Um artista essencialmente gaúcho, cantando as coisas da terra. Traz em suas canções a sensibilidade da lua e os mistérios das noites estreladas. Na alma a natureza do gaúcho. Poesia, verso e canção. Trilhando seu rumo em uma estrada de bons trabalhos semeados. foi Campeão em diversos festivais nativistas e é dono de uma voz singular que transmite sensibilidade, campeirismo e amor.
- JOÃO CEZIMBRA JACQUES

O HOMEM JOÃO CEZIMBRA JACQUES
Segundo seu biógrafo - o Coronel PM, historiador e membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul - Hélio Moro Mariante, JOÃO CEZIMBRA JACQUES teve sua vida terrena assinalada por um signo dúplice - o do infortúnio e o do pioneirismo - um e outro com extraordinária influência em sua vida.
Abriu os olhos para o mundo na rua do Acampamento, em Santa Maria , no dia 13 de novembro de 1849. Seu pai, moço ainda, expirou no Paraguai a serviço da Pátria, onde também se encontrava nosso biografado que, contando apenas 18 anos de idade, prestava serviços de guerra, engajado no 2º Regimento de Cavalaria.
Sua mãe, esposa e filhos faleceram muito jovens, vítimas da tuberculose que dizimou toda sua família, vindo ele próprio sucumbir aos 73 anos de idade, do mesmo mal.
Juntamente com seus dois irmãos, Cezimbra Jacques foi criado pelos avós paternos.
Esse permanente e angustiante estado emocional influenciou como não poderia deixar de ser, em sua idiossincrasia, pois que o acompanhou do berço ao túmulo como um ferrete a amargurar-lhe a existência.
De estatura mediana, cabelos lisos, maçãs do rosto salientes, grandes orelhas, olhos levemente amendoados, fronte ampla e bastos bigodes, era bem o tipo representativo do gaúcho da campanha.
"Indiático, pouca barba, a sua fisionomia tinha traços do silvícola nacional. Talvez mesmo, o sangue desses antepassados corresse nas suas veias", segundo precioso depoimento de seu íntimo amigo, Dr. Sinval Saldanha, que acrescentou: "Original, excêntrico, respeitável por todos os títulos, gozava de alta consideração no meio social."
O Dr. Mário Kroeff, amigo pessoal de Cezimbra Jacques, em seus livros "Imagens do Meu Rio Grande" e "O Gaúcho no Panorama Brasileiro", relata com pormenores, a tragédia que se abateu sobre a família de Cezimbra, culminando por acompanhar ele próprio os restos mortais de seus filhos e de seu pai até a última morada. Encarregado do enterro pelo próprio Cezimbra, desincumbiu-se dolorosamente do encargo.
Outro depoimento valioso, de autoria do também seu amigo Dr. Sinval Saldanha, diz: "Mais de uma vez visitei-o em sua residência na Avenida Mem de Sá, no Rio. Eu ia em companhia do Oswaldo e do Mário Kroeff, seus bons amigos aqui do Sul. Na parede do quarto, penduradas, se viam fotografias de dois moços e duas blusas de militar. Eram dos entes queridos levados pela morte. Uma ou duas vezes por semana renovavam-se as flores que enfeitavam aquele quarto.
E o velho pai, reverente, saudoso e positivista, se encurvava todos os dias ante aqueles objetos pertencentes aos caros filhos desaparecidos.
Em dado momento de nossa palestra, naturalmente sobre assuntos do Rio Grande do Sul, Cezimbra Jacques abriu uma gaveta e dela tirou um saquinho. Aberto, vimos que tinha terra. Sim, era terra do Rio Grande do Sul que o venerando cidadão conservava para lhe servir de travesseiro em seu caixão mortuário. Emocionado, disse que ia morrer distante de seu torrão natal, pois não queria afastar-se para longe da sepultura dos filhos, no Rio. E assim sendo, suplicava aos três amigos presentes, que levassem um dia as suas cinzas para os pagos sulinos.
Lamentavelmente não foi cumprida sua última vontade. Oswaldo e eu morávamos em Porto Alegre ; Mário, no Rio de Janeiro, viajou à Europa por longo tempo. Deixamos assim, passar o prazo do arrendamento do túmulo do intrépido gaúcho".
No entanto, durante o 32º Congresso Tradicionalista Gaúcho, em Capão da Canoa, uma tradicionalista pediu ao presidente do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul, Cel Cláudio Moreira Bento, para localizar os restos mortais de Cezimbra Jacques, e o Instituto então foi a campo. Através das pesquisas realizadas no Hospital Central do Exército, onde ele faleceu em 28 julho 1922, na Santa Casa - que administra os cemitérios, na Biblioteca Nacional e no jornal A Noite - que registrou seu falecimento, chegou-se à conclusão que seu óbito foi lavrado sob o número 242, tendo sido seus restos mortais trasladados para Porto Alegre em 3 agosto 1927, com a guia de nº 406. Todavia, ainda não se descobriu quem o levou e para onde.
O MILITAR JOÃO CEZIMBRA JACQUES
Sua vida militar pode ser assim resumida:
Em 1867, contando apenas 18 anos de idade e à revelia de seus avós, por quem estava sendo criado, alistou-se no 2º Regimento de Cavalaria, que passou a integrar o 3º Corpo do Exército Brasileiro que operou no Paraguai.
Finda a guerra, retornou à Pátria como 2º Cadete do 4º Regimento de Cavalaria, tendo sido condecorado com medalhas conferidas pelos governos do Brasil, Argentina e Uruguai.
Logo após seu regresso, verifica praça no dia 1º outubro de 1870, ingressando, como filho de militar, diretamente na Escola Militar. Gaúcho até a medula dos ossos, preferiu a Arma de Cavalaria, concluindo o respectivo curso no ano de 1874.
Foi elevado a Alferes em 1875, a Tenente em 1884 e a Capitão em 1891.
Em 1895 comandava o 3º Esquadrão do 3º Regimento de Cavalaria.
Foi instrutor da Escola Preparatória de Rio Pardo e do Curso D'Armas da Escola Militar do Rio Grande do Sul em Porto Alegre.
A compulsória atingiu o Capitão Cezimbra Jacques em 1901, quando então foi transferido para a reserva do Exército no posto de Major. Posteriormente, em 1922, segundo pesquisas do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul, foi promovido post mortem ao posto de Tenente-Coronel.
Mestre, desenvolveu atividades, desde o tempo do Império, na Escola Tática e Preparatória de Rio Pardo, grande celeiro de Oficiais Superiores do nosso Exército, e na Escola Militar do Rio Grande do Sul, também famosa pelo número de Oficiais ilustres que passaram pelos seus bancos. De um dinamismo incomum, era muito acatado, quer no meio civil, quer no militar, sendo muito estimado por alunos e considerado por seus pares.
Foi instrutor militar do Instituto de Ensino da Escola de Engenharia, hoje Colégio Estadual Júlio de Castilhos.
A OBRA DE JOÃO CEZIMBRA JACQUES
Seu pioneirismo nos é revelado por diversas iniciativas: como escritor versou sobre assuntos até então pouco explorados ou inéditos em nossas letras; por sua inspiração e trabalho de proselitismo foi criado o Grêmio Gaúcho, núcleo primeiro no culto sistematizado das tradições sul-rio-grandenses; fez parte dos primeiros adeptos do positivismo em nosso Estado ; foi um dos primeiros gaúchos a escrever sobre o problema social; falava o francês, o guarani e o caingangue, e gozava de prodigiosa memória.
Sua participação na vida pública, social e intelectual do seu Estado foi profícua e plena de serviços prestados.
Dotado de profundo espírito cívico-patriótico, suas atenções encontravam-se permanentemente voltadas para as origens e fatos de sua terra e usos e costumes do homem nela integrado.
Escritor, conferencista, indigenista, professor e instrutor, possuía o poder da persuasão. Com facilidade atraía amizades e sua palavra, simples, mas incisiva, conquistava adeptos para os seus ideais.
Cidadão integrado na política de seu país, foi um dos fundadores do Partido Republicano no RS (1880).
Já na reserva do Exército, teve ativa participação nas liças partidárias. Freqüentemente proferia palestras e conferências versando sobre assuntos políticos; escreveu dois pequenos ensaios: "O Parlamentarismo e o Presidencialismo" e "O Presidencialismo Puro", ambos em 1918.
Integrou o elenco de intelectuais gaúchos que fundou a Academia de Letras do RS, onde ocupou a cadeira de Crítica e História. É o patrono da cadeira nº. 19 da atual Academia Riograndense de Letras.
Discípulo convicto de Augusto Comte, revela seus ideais positivistas em vários ensaios sobre política e assuntos locais, todos embasados no Sistema Político Positivo. Seguindo seu destino de antecipar fatos e idéias, Cezimbra Jacques publicou, também em 1918, um pequeno ensaio sob o título "A Proteção ao Operariado na República", tema pouco explorado e quase tabu à época.
Indigenista, falava muito bem o Guarani e possuía bons conhecimentos do Caingangue, o que lhe permitia dialogar com representantes dessas tribos. Era uma espécie de cônsul dos aborígines semi-civilizados então existentes no RS. Recebia-os em sua residência na Várzea ( atual Avenida João Pessoa, em Porto Alegre ), onde por vezes eram alojados. Encaminhava-os aos poderes competentes, apadrinhando suas reivindicações.
Além de considerações a respeito da vida, usos e costumes dos indígenas sul-rio-grandenses, registrados em seu "Ensaio Sobre os Costumes do Rio Grande do Sul" (1883) e em "Assuntos do Rio Grande do Sul" (1911), escreveu uma pequena monografia intitulada "Frases e Vocábulos de Aba Neenga Guarani e Notas Sobre os Silvícolas".
Estas duas obras tratam de história, geografia, usos e costumes das gentes da raia meridional patrícia, de alto interesse para antropólogos, folcloristas e estudiosos em geral.. Variada é a matéria apresentada: música, poesia, danças populares, crendices e superstições, aspectos lúdicos, culinária, indumentária, pelagens bovina e eqüina, lendas em sua pureza primitiva, colhidas diretamente da boca do povo, e outros aspectos da vida do homem do campo que faz da faina pastoril o motivo e a razão de ser da sua existência.
Registra ainda um pequeno vocabulário; dá-nos uma sintética notícia da nossa antologia literária e inclui valioso estudo etnográfico referente aos indígenas instalados no RS.
Um estudo sério da formação do homem no pampa sul-brasileiro não pode prescindir de consultar a obra de Cezimbra Jacques
É mais um mestre, um pesquisador e divulgador que um escritor. Sua aspiração era ser útil, e o foi.
Apaixonado por seu pago, orgulhoso da história, admirador da geografia e profundo conhecedor dos costumes sul-rio-grandenses, por ele recolhidos, analisados e, principalmente, vividos, passou a publicar os resultados das suas remebranças, observações e pesquisas em periódicos. Posteriormente , atendendo a solicitações de amigos e admiradores dos seus trabalhos de coleta e divulgação, enfeixou-os nos dois referidos volumes.
O GAÚCHO JOÃO CEZIMBRA JACQUES
Entusiasta e excelente tocador de viola era grande conhecedor das danças antigas, cujas características - coreografia, música e letra - recolheu nas suas andanças pelos pagos.
Foi um grande ginete e exímio domador. Anacleto Torres relata que João Cezimbra Jacques costumava passar temporadas nas estâncias de parentes e amigos, participando, com invulgar entusiasmo, de todas as práticas campeiras, nas quais se revelava um verdadeiro mestre, informando-nos ainda que "usava estribos de cônica aspa de touro brasino e botas de meio pé, feitas de garrão de bagual tordilho-negro".
Conseguiu ver colimado seu anelo de criar no Rio Grande do Sul entidades de cunho nativista onde, segundo suas próprias palavras, se pudesse "cultivar os usos salutares do passado, já nos outros ramos de atividades de um povo, já nos jogos e diversões, de modo a poder-se reproduzir esses quadros da vida dos nossos Maiores nas comemorações dos grandes acontecimentos do passado...".
Auxiliado por um grupo de dedicados patriotas, civis e militares, e entre estes, colegas e alunos da então Escola Militar, fundou o Grêmio Gaúcho na cidade de Porto Alegre, no dia 22 de maio de 1898 . No seu próprio dizer, foi ele o "primeiro iniciador de sociedades dessa ordem no Rio Grande do Sul" com a fundação do Grêmio Gaúcho.
Por este motivo foi agraciado com o honroso título de Patrono do Tradicionalismo Gaúcho, resolução tomada no 6º Congresso Tradicionalista Gaúcho efetivado na cidade de Cachoeira do Sul e patrocinada pelos ilustres Carlos Galvão Krebs e Antônio Augusto Fagundes, então presidente e diretor administrativo, respectivamente, do Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore.
-JOÃO SIMÕES LOPES NETO
(1865-1916)
João Simões Lopes Neto foi, segundo estudiosos e críticos de literatura, o maior escritor regionalista do Rio Grande do Sul. Nasceu em Pelotas, em 9 de março de 1865, filho de família abastada da região.
Com treze anos de idade, foi para o Rio de Janeiro, estudar no famoso colégio Abílio. Retornando ao Sul, fixa-se em sua terra natal, Pelotas, então rica e próspera pelas mais de cinqüenta charqueadas que lhe davam a base econômica.
Envolveu-se em uma série de iniciativas de negócios que incluíram uma fábrica de vidros e uma destilaria. Os negócios fracassaram pois a época foi marcada pela devastadora guerra civil no Rio Grande do Sul e a economia local fora duramente abalada. Depois disto, construiu uma fábrica de cigarros. Os produtos, fumos e cigarros, receberam o nome de "Diabo", "Marca Diabo", o que gerou protestos religiosos. Sua audácia empresarial o levou ainda a montar uma firma para torrar e moer café, e desenvolveu uma fórmula à base de tabaco para combater sarna e carrapatos. Fundou ainda uma mineradora, para explorar prata em Santa Catarina.
Casou-se aos 27 anos com Francisca de Paula Meireles Leite, de 19 anos, no dia 5 de maio de 1892.
Como escritor, Simões Lopes Neto procurou em sua produção literária valorizar a história do gaúcho e suas tradições.
Entre 15 de outubro e 14 de dezembro de 1893, J. Simões Lopes Neto, sob o pseudônimo de "Serafim Bemol", e em parceria com Sátiro Clemente e D. Salustiano, escreveram, em forma de folhetim, "A Mandinga", poema em prosa. Mas a própria existência de seus co-autores é questionada. Provavelmente foi mais uma brincadeira de Simões Lopes Neto.
Em certa fase da vida, empobrecido, sobreviveu como jornalista em Pelotas.
Publicou apenas três livros em sua vida: Cancioneiro Guasca (1910), Contos Gauchescos (1912), e Lendas do Sul (1913).
Morreu em 14 de junho de 1916, em Pelotas, aos cinqüenta e um anos, de uma úlcera perfurada.
Sua literatura ultrapassou fronteiras e hoje pertence à literatura universal, tendo sido traduzido para diversas línguas.
Obras
Contos Gauchescos
Lendas do Sul
- JORGE GUEDES - (aguardando dados)

- JORGE LEAL E AROLDO TORRES

Um fronteiriço, nascido em Bagé, outro paulista de Pindamonhangaba, aquerenciado desde a infância no Rio Grande do Sul, compôem e interpretam suas obras no tradicional estilo missioneiro, com forte influência do Noel Guarany, inclusive, em alguns momentos, o timbre vocal de Jorge Leal, quando canta sucessos do saudoso missioneiro, lembra o Noel, sempre acompanhado do violão do Aroldo, que muito se assemelha ao mestre. As afinidades e o ideal missioneiro fez com que, no quarto CD da dupla, "Da Fronteira às Missões", gravado em dezembro de 2005, fosse convidada a participar a Laura Guarany, filha do Noel, com duas músicas (Sonho de Pescador e Cantar de Um Missioneiro).
- JÚNIOR BENADUCE
Natural de SANTA MARIA - Rio Grande do Sul
- Cursou Licenciatura em Música pela Universidade Federal de Santa Maria;
- Cursou Letras em Universidade Federal de Santa Maria;
- Atualmente cursa Direito pela ULBRA de Canoas.
Integrou o quadro de funcionários dos seguintes órgãos da Secretaria de Cultura do Estado do Rio Grande do Sul:
- IGTF ( Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore)
- IEM ( Instituto Estadual de Música)
Pelo MTG:
- Participou do CFOR;
- Avaliador do ENART - 2003, 2004 e 2005;
- Avaliador do FENART - 2003e 2007, 2005 ;
- Avaliador do FEPART - 2004;
- Coordenador e Avaliador do Cante e Encante o seu CTG - 2005;
¨ Algumas das entidades dos quais participou e colabora no MTG:
- CPF Piá do Sul de Santa Maria;
- Grupo de Arte Nativa M´Bororé de Campo Bom (hoje CTG);
- Grupo de Arte Nativa Vaqueanos da Cultura de Soledade;
- Grupo Tangará Canto e Dança de Santa Maria (projeção folclórica);
- CTG Sentinela da Querência de Santa Maria;
- CTG Campos de Palmas de Palmas - PR;
- CTG Fogo de Chão de Guarapuava - PR
- CPF Lanceiros da Liberdade de São Paulo - SP.
Algumas das premiações mais importantes dentro do MTG;
- 1º lugar como solista vocal do 3º FEGART (Grupo de Arte Nativa M´Bororé) ;
- 1 º lugar Danças Tradicionais no 10º FEGART (CTG Sentinela da Querência);
- 2º lugar no FEPART (Paraná) 2005 (CTG Campos de Palmas);
- 1º lugar no FEPART (Paraná) 2005 como Grupo Musical de Invernadas;
- 1º lugar no FEPART (Paraná) 2006 (CTG Fogo de Chão);
- 2º lugar no FEPART (Paraná) 2006 (CTG Campos de Palmas);
- 1º lugar no FETEG (São Paulo) 2006 (CPF Lanceiros da Liberdade);
Alguns dos festivais nativistas que participou, gravou e foi premiado;
- Califórnia da Canção Nativa (Uruguaiana);
- Tertúlia Musical Nativista (Santa Maria);
- Querência do Bugiu (São Francisco de Assis);
- Coxília Nativista (Cruz Alta);
- Sapecada da Canção (Lajes/SC);
Artistas com quem gravou:
- Grupo Raízes, 5 CDs;
- Elton Saldanha, 4 CDs;
- Ivonir Machado, participação especial juntamente com Elton Saldanha;
- LISANDRO AMARAL
Cantor e poeta de Bagé, mostra em seus trabalhos a fusão entre a tradição gaúcha e a contemporaneidade, o que vem
chamando a atenção da crítica e do público, começou a compor em 1995, influenciado pelos versos de Jayme Caetano Braun, Eron Vaz Matos, Aureliano de Figueiredo Pinto e o estilo musical simples e enraizado de Noel Guarany, Cenair Maicá, Pedro Ortaça e Luiz Marenco.
Em 2001, Lisandro Amaral reuniu algumas de suas composições e lançou o CD "À moda antiga", com o qual conquistou um grande público jovem e despertou nos mais velhos admiração e respeito, por falar do passado preocupado com o futuro, mesclando emoção e autenticidade, além de demonstrar dessa maneira seu compromisso com os rumos da cultura musical gaúcha. Lançou outros cds, participou de inúmeros festivais, alcançando expressivas premiações. Além disso, suas composições já foram gravadas e interpretadas por cantores renomados como Joca Martins, César Oliveira, Luiz Marenco, Jari Terres, Robledo Martins.
Leonir Marques por Nico Fagundes
O Leonir é um índio forte, atarracado, com a melena já entordilhando. A aparência severa logo se desmancha quando começa a falar. Ele abre um sorriso e começa a contar os causos mais engraçados na vida e na carreira dos artistas do gauchismo, que ele conhece bem, muitos dos quais viu nascerem artisticamente. Conversar com o Leonir, como eu faço seguidamente, é dar risada atrás de risada.
Conheço esse índio desde 1955, velhos tempos da Rádio Itaí, dos programas do Silva Filho, Darci Reis Nunes, Nelson Silva e o hoje publicitário famoso João Oliveira. Era muito programa caipira e alguns gauchescos. É dessa turma que emergem o Leonardo, o Antoninho Duarte, o Carlos Cirne e tantos outros. Aos poucos, o gauchismo vai se impondo e, quando aparece o Grande Rodeio Coringa na Rádio Farroupilha, Darcy Fagundes vai aproveitar essa gente buena, já completamente agauchada.
O Leonir era um deles, cantando com bela voz e se acompanhando ao violão. Fez parte de várias duplas - ainda usando seu nome verdadeiro, Deroí Marques, até que se entendeu com Jader Moreci Teixeira, que era palhaço de circo com o nome de Zé Sabugo e a dupla se deu às mil maravilhas. Aí resolveram usar para o Deroí o nome de Leonir e para o Jader o nome de Leonardo...
Sim, o nome verdadeiro de Leonir é Deroí Marques, gaúcho de Montenegro, criado ali pelo Pesqueiro, jogando futebol e roubando melancia. Filho de pai português e mãe pêlo duro, o guri era moleque uma coisa por demais, esperto como ele só. Como o pai tocava banjo, já aos 10 anos o piá pegou num cavaquinho para acompanhá-lo nos repertórios dos Tonicos e Tinocos da vida. Logo passa para o violão e começa a participar dos Ternos de Reis, tradição da região montenegrina que ele não esquece.
Quando virou Leonir, o moço já se descobrira poeta e compositor, fazendo com facilidade músicas que caíam no gosto popular (hoje, tem mais de mil canções gravadas em autoria ou co-autoria).
Bem moço ainda, ele conheceu Os Milongueiros. Ao sair o Flavio Mates (a China Flavia, grande cantor, grande amigo e péssimo jogador de futebol...), o Leonir entrou para o grupo. Aí foram quase 30 anos de sucesso, 24 discos gravados. O Leonir estourou como compositor. Foi gerente de produção das gravadoras Continental, Chantecler e USA Discos. Entre suas canções mais conhecidas, estão Solto das Patas e Recanto da Natureza. Ele já gravou três discos solo e já está preparando o quarto.
O Leonir foi um dos maiores amigos do mano velho Darcy Fagundes, a quem acompanhou até o último momento.
É casado há 34 anos com Dona Teresinha e os dois têm uma filha, Fabiana, advogada de sucesso que é o encanto dos pais.
Grande e querido amigo Leonir, que faz tudo pelos seus colegas músicos e que faz amigos com a mesma facilidade com que faz canções.
Fonte: ZH
- MANO LIMA - Mario Rubens Batanolli, simplesmente Mano Lima

Não se pode falar em Mano Lima , sem buscar no Dicionário Gaúcho Brasileiro, que traduz do gauchês para a Língua Portuguesa, um dos significados e das origens da palavra gaúcho:"a partir de meados do século 19, a palavra perdeu sua conotação pejorativa, revestindo-se de conteúdo nitidamente elogioso, de homem digno, bravo e destemido."
São conhecidas sua coragem e valentia; o amor à liberdade e o apego à terra; o espírito cavalheiresco, nobre e hospitaleiro; a gentileza para com as mulheres e o amor arraigado e constante às tradições.
O menino nascido em M´Bororé, que na época pertencia a Itaqui e hoje é o município de Massarambá, RS, diz que artisticamente nasceu em São Borja. Mário Rubens Batanolli de Lima é descendente de italiano por parte de mãe (seus avós eram da Itália) e Lima por parte de pai.
"Mano Lima porque somos uma família muito grande e sou o filho mais velho. O apelido na família era Mano e Aparício Valente Rillo foi quem criou Mano Lima, quando eu capatazeava uma estância, fui assar uma carne prá ele e tive o prazer de conhecê-lo e foi ele quem me levou para o disco, sendo a minha estrela-guia, que me deu todo o apoio e toda a força", disse.
Depois, quando foi gravar o primeiro disco com o grupo Costaneira, de São Borja, formado por amigos, foi uma surpresa para ele, quando as vendas estouraram. Aparício Rillo escolheu o nome Mano Lima. "Na época, falou que existia um cantor que se chamava Mano Décio e eu seria Mano Lima. Ele foi feliz na escolha, na criação do artista e no nome também, porque soa bem, teve muito a ver comigo e com o meu trabalho também. Trabalho baseado no meu conhecimento e na afinidade do artista com o público, que foi surgindo depois. O conhecimento e esta afinidade é que trazem a beleza das coisas, ajudam e crescer e ajudam a viver", afirmou.
No show, realizado na 19ª Festa Nacional do Pinhão em Lages, a novidade como sempre, foi o público, porque o artista tem a simplicidade do campo, do homem do campo, não tem ensaio, acontece tudo ao natural. "Eu pego uma música, se errar, faz parte do espetáculo. Eu trato tudo como uma família. Na verdade, o meu público faz parte da minha família, porque é formado pro meus amigos. A amizade é uma coisa de sentimento. Tem muitas pessoas que eu conheço, mas que não são meus amigos como aqueles que eu não conheço e que sentem os meus sentimentos, ao escutarem minhas músicas", acrescentou.
E concluiu: "o homem do campo e a sua simplicidade, a propósito, são a base do trabalho que venho fazendo, no palavreado, no campeiro, principalmente pela minha origem, pela minha raiz, por eu nunca esquecer principalmente da região onde venho".
"Se nós não cuidarmos, vamos balançar e perderemos a nossa cultura"
Sobre o modismo que está se misturando com o tradicionalismo, o tchê music e o maxixe, Mano Lima disse que quem tem que ter esta preocupação é o MTG, que existe prá isso."Eu como músico não tenho que opinar, porque o sol nasceu prá todos. Cada um que faça o trabalho que deve fazer. Esta responsabilidade é do MTG: cuidar prá que com as nossas raízes e com a nossa música não aconteça o que aconteceu com a música caipira, que desapareceu. Surgiu uma música moderna, muito bonita por sinal, com grandes músicos, grandes talentos, mas levando uma bandeira errada. Quando se carrega uma bandeira, se tem com ela uma responsabilidade", disse.
E continuou: "se fossem me perguntar o que eles deveriam fazer, eu diria: 'não carreguem a bandeira do tradicionalismo, não carreguem a bandeira dizendo que a música que vocês tocam é gaúcha. Carreguem a bandeira de vocês, porque cada pessoa tem uma personalidade. Aliás, a palavra pessoa já significa personalidade. Sejam vocês mesmos. Levem a bandeira que vocês não ajudaram a construir e que estão destruindo'. Como pessoa eu diria isto. Como músico, não digo nada".
Segundo Mano Lima, todos devem se preocupar com as pessoas ou seja com a personalidade de cada um e respeitá-las. "O povo também deve ter esta preocupação, principalmente com o tipo ligado à nossa terra, com as coisas que são nossas, com a nossa linguagem, com o país, que sofre muito a influência de países de primeiro mundo em vários setores como também na música, onde o maior vai engolir o menor. Os países de 1º mundo querem engolir os de 3ª e se nós não nos cuidarmos, vamos ser engolidos. Se nós não nos cuidarmos, vamos balançar e perdermos a nossa cultura", afirmou.
A preocupação de Mano Lima é com a Pátria, com o Brasil em primeiro lugar e em seguida com o tradicionalismo, com os heróis que deram o sangue e ávida para defender a sua terra e as suas fronteiras. "Meu medo é que daqui a alguns anos tenhamos saudade da música gaúcha, que ela desapareça em função do modernismo e do modismo, como aconteceu com a música caipira. Que nossos filhos e nossos netos queiram conhecer o que já deixou de existir", concluiu.
Fonte: Entrevista, Texto e Foto: Véra Regina Friederichs -Jornal Desgarrados da Querência
- MARIA LUIZA BENITEZ - Um canto de amor à Natureza

Interprete, atriz, radialista, apresentadora e jurada de festivais, destaca-se no meio musical latino-americano como um dos nomes de maior repercussão da música do Rio Grande do Sul. Possui uma carreira de mais de 35 anos dedicadas ao nativismo. Tem três discos - último em 2004 com o título "Ouro Azul".
A ênfase do repertório é a temática da água, homenageando o cantor missioneiro Cenair Maicá - o Cantor das Águas, e buscando despertar a consciência do público para a necessidade de um maior cuidado com o meio ambiente.
Maria Luiza Benitez revela sua versatilidade e qualidade como intérprete ao cantar músicas em outros idiomas como o espanhol e dialetos indígenas
O roteiro do show inclui temas como Entre Guaíba e Uruguay de Noel Guarany, Balseiros do Rio Uruguai de Barbosa Lessa, Açude de Prado Veppo e Mário Barros, El Cosechero de Ramón Ayala, entre outras canções.
Maria Luiza já atuou junto a OSPA como