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10/01/2008

PARA DANÇAR UM FANDANGO BEM GAÚCHO!
 

A dança fandangueira gaúcha tradicional exige de quem a pratica mais que satisfação pessoal e ritmo. A postura do dançarino deve representar sempre a altivez do povo gaúcho. A maneira de o peão gaúcho segurar e conduzir a prenda; a evolução do par pelo salão e o respeito entre ambos e, principalmente, com relação aos demais participantes do baile são, também, parte da compostura reclamada nesses eventos tradicionalistas.

Clóvis Rocha, no seu ABC das Danças de Salão (Porto Alegre: Martins Livreiro-Editor, 2002, p. 36-40) aborda o tema de forma a esclarecer aos iniciantes na arte de dançar um fandango gaúcho alguns requisitos mínimos a serem observados na dança gauchesca.

O autor enfatiza que postura significa a posição do corpo ou dos corpos, ou a atitude destes corpos. E exclama: como seria estranho assistir a um tango portenho executado por dançarinos que o fazem com uma postura de sambista malandro do Rio de Janeiro! Da mesma forma, toda dança folclórica de cunho popular ou tradicionalista tem seu tipo peculiar de postura, feita com maior ou menor altivez. Em um fandango gaúcho não é diferente. Alguns casais se sobressaem, ou por apresentarem uma bonita postura ou, ao contrário, por exagerarem tanto que se tornam ridículos. Em fandangos de CTG, portanto, a dança deverá ser aquela tradicional dos gaúchos, com compasso musical típico e postura adequada dos executantes, com a altivez característica dos Gaúchos Sul-brasileiros.

O peão é que conduz a prenda e controla a dança, mas a postura do par começa com o correto aspecto físico de cada um dos dançarinos.  Clóvis Rocha cita no seu trabalho uma frase de seu avô, que diz: “bom dançarino não é aquele que chega em um baile e faz mil piruetas e figuras, mas aquele que em um salão cheio dança toda uma marca e não bate em ninguém”. Em outras palavras, continua o autor, dançar é antes de tudo buscar divertir-se, mas deixando espaço para que os outros também se divirtam. E salienta: hoje em dia, nos fandangos ou bailes o respeito nem sempre é levado em conta, pois muitas vezes parece impossível dançar sem termos feito antes algum curso de defesa pessoal. Para se ter uma postura correta na dança, portanto, é preciso começar pelo posicionamento dos dançarinos A colocação do corpo do homem de frente para a mulher, ombro direito dela na linha central do peito dele; perna direita dele em direção ao meio das pernas dela e a perna direita da mulher em direção ao meio das pernas do homem. A condução é feita pela mão direita do homem, que é colocada na altura da cintura da mulher, com a palma da mão na linha da coluna.

A mão dele deve ter firmeza, mas não é preciso pressionar de tal forma a juntar os corpos, basta que a mulher consiga sentir a intenção dos movimentos que o homem está querendo fazer, evitando ter que adivinhar para onde tem de ir. Exemplificando: se o dançarino pretender realizar um giro para a sua direita, pressionará com a parte do punho de sua mão direita; se for para a sua esquerda, fará uma leve pressão com a parte dos dedos. Já o braço esquerdo do homem é utilizado apenas como forma de manter uma boa postura, não sendo utilizado para a condução da prenda. A mão esquerda é elevada na altura do ombro com a palma da mão voltada para cima e sem apertar a mão da mulher; o cotovelo é só levemente flexionado, caso contrário, poderá vir a lesionar algum outro dançarino. A mão esquerda da mulher é colocada suavemente na parte de trás do ombro direito do homem, colocando toda a mão e não apenas a ponta dos dedos, o que daria a impressão de nojo. O cotovelo esquerdo não deve descansar sobre o braço do homem, pois isso faria a mulher se tornar mais pesada para dançar, perdendo também a sua postura. A mão direita da mulher é elevada à altura do ombro, sendo colocada suavemente sobre a mão do homem, com o cotovelo levemente flexionado. O tronco é sempre mantido ereto, procurando não deixar cair os ombros. A distância entre os corpos deve ser a compatível com a tradição dos gaúchos, isto é, em um fandango gaúcho o ato de dançar “colado”, “apertado” nunca foi, não é e jamais será considerado tradicional. E danças como o “maxixe”, o pula-pula, e as que se desenvolvem mediante um compasso estranho ao gaúcho tradicional são impropriedades que não devem prosperar nos ambientes tradicionalistas gaúchos, por se tratarem de notórias aberrações culturais e notórias incoerências culturais regionais e tradicionalistas. Enfim, a não observância de atitudes como essas comprometem o aspecto físico dos dançarinos e a própria execução da dança tradicional gaúcha.

 E o conhecimento é que irá transformar uma eventual consciência ingênua em uma consciência crítica. Por isso, os aprendizes da dança gaúcha de salão devem ter muito cuidado ao receber as instruções de determinados “professores” ou “academias de danças gaúchas”. Assim como determinados estilistas de moda, que por motivos comerciais começam a inovar e a desnaturar a indumentária tradicional, alguns estilistas da dança inventam coreografias que deturpam o ritmo de inúmeras danças gaúchas tradicionais. E não esqueçam: o conhecimento é a base da liberdade! Assim, para que o patrimônio cultural gaúcho brasileiro continue a ser preservado, os atuais e os futuros tradicionalistas gaúchos devem, antes de tudo, libertarem-se de todas essas infundadas imposições mercadistas vigentes no meio tradicionalista.

Dessa forma, o autêntico fandango tradicional gaúcho continuará sendo repassado para as novas gerações da forma como nos foi legado por nossos antepassados sulistas, com o compasso musical e a altivez tradicional dos Centauros das Coxilhas, em nome da preservação da rica e genuína Cultura Regional Gaúcha dos Sul-brasileiros! 

 

Fonte:Bombacha Larga

 


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